Quando o assunto é a NASA, nem o céu é o limite. Agora, a agência quer colocar literalmente “olhos na Lua”, mas não com telescópios. O plano faz parte da reformulação do programa Artemis e envolve o envio de quatro drones ao polo sul lunar até 2028. A missão, chamada MoonFall, pretende mapear a região, identificar áreas seguras para pouso e preparar o terreno antes da chegada de astronautas.
Projeto MoonFall: drones vão mapear o território lunar em alta resolução
O Projeto Moonfall é um experimento ousado da Nasa, em que a proposta pode até parecer simples na teoria, mas, na prática, é bem mais audaciosa. Eles querem lançar quatro drones autônomos para sobrevoar uma área ainda indefinida do polo sul da Lua. Cada um deles será capaz de cobrir cerca de 50 quilômetros de raio, registrando imagens detalhadas e coletando dados do terreno.
Essas informações serão combinadas para criar um mapa tridimensional da região, algo totalmente novo e essencial para decidir onde futuras missões tripuladas poderão pousar com segurança e até onde estruturas permanentes podem ser instaladas. Cada drone levará cerca de dez instrumentos científicos, entre câmeras e sensores, somando 40 equipamentos operando simultaneamente. E o mais interessante é que eles não vão depender de comandos diretos da Terra para atuar no espaço, pois trata-se de drones autônomos que, durante a descida, vão analisar sozinhos o terreno em tempo real e escolherão o melhor local para pouso.
Tecnologia herdada do Ingenuity em Marte acelera plano da NASA e coloca missão lunar em ritmo acelerado até 2028
Ilustração da NASA mostra o conceito dos drones do projeto MoonFall, projetados para sobrevoar o polo sul da Lua, realizar mapeamento detalhado do terreno e pousar de forma autônoma em áreas seguras.
Apesar de parecer algo totalmente novo, o MoonFall tem raízes em outra missão bem-sucedida da NASA: o helicóptero Ingenuity, que realizou 72 voos em Marte durante a exploração da cratera Jezero. A ideia agora é aproveitar essa experiência, incluindo o uso de componentes comerciais e sistemas autônomos, e combiná-la com tecnologias mais recentes da indústria espacial. Isso permite reduzir custos e acelerar o desenvolvimento do projeto.
E acelerar é exatamente o que a NASA pretende fazer. O cronograma é violento e ousado: a escolha dos parceiros deve acontecer ainda em 2026, os testes de voo começam no mesmo ano, com a integração final está prevista para 2027 e o lançamento em 2028. Outro ponto estratégico é a forma de envio desses drones. Ao invés de utilizarem um módulo de pouso tradicional, os drones serão liberados durante a descida de um estágio de transferência, reduzindo custos e riscos da missão.
Se funcionar como planejado, o MoonFall pode mudar a forma como a Lua está sendo explorada, transformando os drones em uma espécie de “olhos voadores”, capazes de antecipar decisões críticas, como a escolha de áreas seguras para pouso e a definição de onde instalar habitats, sistemas de energia e infraestrutura básica. O objetivo da missão é reduzir riscos, custos e incertezas antes da chegada das primeiras missões tripuladas do programa Artemis, prevista para 2030.
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