Quem não gostaria do Império Romano? Há pouco mais de um ano, milhares de mulheres em toda a Espanha perguntaram aos seus namorados, amigos ou maridos com que frequência pensavam no Império Romano. E — pelo menos de acordo com o meme — a resposta foi: muito.
Envenenados
Descobrimos — escondido no gelo do Ártico — que, na verdade, pensamos muito pouco sobre isso: o Império Romano construiu uma das realizações civilizacionais mais impressionantes da história da humanidade, e o fez em meio a níveis absolutamente insanos de chumbo na atmosfera. Chumbo que eles mesmos haviam liberado na atmosfera.
Chumbo por toda parte
Ao examinar o chumbo em três amostras de gelo do Ártico que remontam a 2.000 anos, uma equipe de pesquisadores do Desert Research Institute conseguiu calcular os níveis de poluição ambiental na Europa entre 500 a.C. e 600 d.C. Os dados são — para dizer o mínimo — aterrorizantes.
Conforme relatado na Proceedings of the National Academy of Sciences, após examinar isótopos de chumbo presos naquele gelo, os pesquisadores conseguiram mapear a contaminação por esse metal em toda a Europa. Não apenas isso: eles estimaram a magnitude da contaminação e os níveis de chumbo no sangue dos habitantes, e até descobriram a causa dessa poluição massiva.
Um culpado com identidade específica
De acordo com os dados, a prata está na raiz de todo o problema. Ou, mais precisamente, a mineração de prata. Ao longo dos séculos, mineradores fundiram toneladas de galena para extrair prata. Estima-se que, para cada onça de prata aproveitável, milhares de onças de chumbo eram liberadas no meio ambiente.
Os números
Colocando em números: "durante o auge de 200 anos do Império Romano, mais de 500 quilotoneladas de chumbo foram liberadas na atmosfera". Isso — de acordo com os registros das amostras de gelo — é 40 vezes maior do que os níveis observados durante o grande pico de chumbo ambiental na década de 1970 (período após o qual começamos a eliminá-lo gradualmente da gasolina, tintas e outros produtos).
E, claro, houve consequências
Já sabemos que o chumbo faz mal à saúde. Muito mal. E não apenas devido a problemas como infertilidade, doenças ou violência; refiro-me a problemas neurológicos que se traduzem em um declínio significativo nas habilidades cognitivas e na concentração.
Embora nem todos os especialistas concordem, em termos práticos, pesquisadores do DRI estimam que os níveis de chumbo durante a era romana provavelmente reduziram o QI da população em geral de 2 a 3 pontos. "Não parece muito, mas, quando aplicado a praticamente toda a população europeia, é um problema enorme", explicou Nathan Chellman, coautor do estudo.
É um problema que, em retrospecto, apenas reforça a lenda do Império Romano.
Imagem de capa | Joseph McConnell; Ilona Frey
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