No México, as unidades habitacionais são comuns. São terrenos caracterizados por serem conjuntos de moradias com espaços e infraestrutura comuns que, em geral, se distinguem por serem prédios com apartamentos. Outra de suas particularidades é que, nelas, vivem pessoas de todas as idades, formando uma comunidade de vizinhos variada.
Pelo menos na capital, o ritmo de vida costuma ser desgastante e exaustivo. Isso, somado à falta de civilidade e empatia que geralmente ocorre nessas comunidades, muitas vezes acaba virando uma dor de cabeça por causa das atitudes de aposentados e pessoas com mais de 70 anos. Mas a Geração Z foi além: levou esse estresse para o digital.
Os grupos de WhatsApp
Atualmente, é quase um protocolo que você seja adicionado a um grupo criado com a ideia de agilizar a comunicação entre os vizinhos. E, se você já foi incluído em algum, provavelmente já sabe para onde isso vai. Informar se houve algum problema com a luz, a água ou simplesmente avisar que deixaram um pacote em nome de alguém ausente virou uma panela de pressão.
O que antes era um diálogo nas escadas ou um bilhete na porta se transformou em um amontoado de mensagens passivo-agressivas. Mais do que resolver um conflito, trata-se de uma tentativa de expor o problema para todos e, ao mesmo tempo, fazer com que quem reclama se sinta apoiado pelos demais vizinhos. Uma ferramenta digital que transfere a negatividade das redes sociais para o dia a dia.
Fornecer seu número de telefone acaba gerando uma enxurrada insistente de mensagens invasivas que, em vez de favorecer a convivência, priorizam as reclamações entre uns e outros. Esses bate-bocas públicos já são incômodos por si só, mas as novas gerações agora se apoiam em aplicativos como o Nextdoor, um tipo de rede social destinada a criar comunidades de vizinhança.
O objetivo desse tipo de app era que as pessoas se ajudassem mutuamente. Mas essa promessa acabou resultando em que ao menos 70% das mensagens enviadas sejam reclamações sobre sujeira, barulho e acusações diretas. Claro, isso já no contexto estadunidense, mas a ideia é a mesma: discussões que antes eram cara a cara agora se transformam em “exposições”, com foto e vídeo como prova.
A outra face da moeda
Embora o problema possa ser entendido como brigas de vizinhos, algo que talvez não seja levado em conta é que isso pode desencadear consequências para quem não tem nada a ver com a situação. Um estudo da Universidade de Houston demonstrou que a proliferação de comunidades digitais gera certo grau de paranoia e uma preocupação maior do que deveria.
Dessa forma, a análise se concentrou em como o uso desse tipo de aplicativos e chats em grupo impacta as comunidades de vizinhos. Foi demonstrado que aqueles que utilizam essas ferramentas tendem a perceber um nível de insegurança e perigo ainda maior em comparação com quem não as usa. A questão é que muitos nem sequer têm consciência do índice de criminalidade do próprio bairro.
Para mostrar como esse tipo de grupo pode se tornar tóxico, existe a conta Líos de Vecinos, um portal que ilustra perfeitamente como a Geração Z, acostumada a compartilhar excessivamente o dia a dia nas redes, transforma queixas privadas em fofoca para todo o bairro. O mais comum: cartazes colados nas escadas.
Pior ainda, se trouxermos o contexto de volta para a Cidade do México, no Facebook é possível encontrar grupos como Vecinos Unidos Iztapalapa. Ali, a ideia de compartilhar informações para denunciar algum problema ou avisar sobre um inconveniente se transformou em um mercado virtual de compra e venda. É possível encontrar desde serviços de frete até celulares usados.
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka México.
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