Nem Dubai, nem Abu Dhabi: a tensão da guerra acaba de forçar os super ricos a transferir suas fortunas para um refúgio inesperado na Ásia

Com aumento de taques e instabilidade na região do Golfo, milionários redirecionam investimentos e deixam Dubai em segundo plano

Hong Kong
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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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As tensões no Golfo, marcada por ataques de drones e mísseis e o risco de ampliação do conflito com o Irã, começaram a provocar um efeito imediato em um dos grupos mais atentos a sinais de instabilidade: os super-ricos. Tradicionalmente atraídos por cidades como Dubai e Abu Dhabi, graças aos baixos impostos, estabilidade política, infraestrutura de luxo e ambiente favorável aos negócios, esses investidores agora estão reavaliando seus ativos, rotas e locais de residência. Muitos deles, inclusive, já começaram a mover dinheiro e operações para a Ásia.

O movimento foi sentido com força nas últimas semanas, à medida que o espaço aéreo dos Emirados Árabes Unidos passou a sofrer restrições e episódios de ataques aumentaram a percepção de risco. Em alguns casos, famílias chegaram a pagar 1 milhão de reais por rotas alternativas de saída, enquanto gestores de grandes fortunas interromperam planos de expansão no Golfo. Bem no meio dessa transformação está um novo destino que, pelo visto, vai se dar bem em meio ao caos: Hong Kong.

Guerra muda o fluxo do dinheiro global e faz ricos fugirem do Golfo

Dubai sempre foi considerado o destino mais seguro para empresários e investidores ao redor do mundo. Impulsionada por impostos baixos, estabilidade e infraestrutura de luxo, a cidade se tornou um centro financeiro global, mas essa confiança está se perdendo completamente devido ao conflito no Oriente Médio. 

Com ataques atingindo infraestruturas estratégicas e aumento da incerteza na região, o comportamento dos super-ricos mudou e agora eles não querem permanecer na cidade. Por isso, estão buscando alternativas mais seguras, tanto para preservar patrimônio quanto para não ficarem presos em áreas de risco durante a guerra. Esse movimento não está afetando apenas os investimentos, mas famílias inteiras que estão deixando o país. 

Ao mesmo tempo, gestores de patrimônio passaram a adotar uma postura mais cautelosa. Por isso, ao invés de expandir operações no Oriente Médio, muitos agora analisam novos centros financeiros considerados mais estáveis, mesmo que menos “atrativos” no papel. 

Com guerra no Oriente Médio, Hong Kong volta a atrair milionários 

Enquanto o Golfo enfrenta tensão devido a guerra, Hong Kong está sendo um dos principais beneficiados dessa redistribuição de riqueza. Nos últimos anos, o centro financeiro asiático havia perdido parte de seu prestígio internacional devido a protestos, maior controle político e restrições durante a pandemia. Mas parece que agora as coisas vão mudar, impulsionado justamente pela instabilidade em outras regiões.

Mas o que levaria os super ricos a investir em Hon Kong? Entre os principais atrativos estão impostos reduzidos, acesso a profissionais qualificados e um mercado financeiro em expansão, que voltou a ganhar força com novas aberturas de capital e aumento da atividade bancária. Os números já refletem essa retomada. O número de family offices, estruturas que administram grandes patrimônios, cresceu significativamente no país, indicando que o dinheiro já começou a ser investido.

Ainda assim, o movimento não tem um padrão. Muitos investidores seguem adotando uma estratégia de espera, avaliando destinos alternativos como Singapore e até centros europeus. A decisão, no fim das contas, depende de um elemento central:  a confiança.

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