O mistério do mapa-múndi de 1587: documento histórico indica que a Arca de Noé está no mesmo local de montanha que abrigaria a embarcação bíblica

Representação feita há mais de 400 anos coincide com uma formação geológica em formato de navio que é investigada até hoje

Representação da Arca de Noe no mapa (imagem produzida por IA)
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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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A Arca de Noé é uma das histórias mais conhecidas da Bíblia, e desperta uma dúvida que continua sem resposta definitiva: a embarcação descrita no relato do Dilúvio realmente existiu? A resposta pode estar escondida em um mapa-múndi produzido em 1587 pelo cartógrafo italiano Urbano Monte.

O mapa representa a arca próxima do Monte Ararat, na atual Turquia, uma região associada ao relato bíblico. A localização indicada no documento antigo também foi relacionada por um pesquisador independente à Formação Durupinar, uma estrutura geológica em formato de barco que há anos alimenta especulações sobre a existência da embarcação. Embora a coincidência seja curiosa, as evidências ainda estão longe de comprovar que a formação seja, de fato, a Arca de Noé.

Documento de 1587 aponta a Arca de Noé para uma região investigada por arqueólogos

mapa

O documento que deixou os pesquisadores intrigados é o Planisfério de Urbano Monte, um enorme mapa-múndi concluído em 1587. O mapa foi desenhado à mão em 60 folhas, e quando reunidas, formam um mapa circular com quase três metros de diâmetro, considerado uma das produções cartográficas mais marcantes do seu período. Entre as representações do mundo conhecido na época, o mapa também mostra a Arca de Noé nas montanhas de Ararat. A referência logo atraiu a atenção dos arqueólogos, pois o local coincide com a região que tradicionalmente é associada ao destino final da embarcação descrita no livro de Gênesis.

Segundo o relato descrito na Bíblia, depois de 150 dias de Dilúvio, a arca teria parado nas "montanhas de Ararat". O texto, porém, não aponta uma montanha específica nem fornece coordenadas que permitam identificar com precisão onde a embarcação teria ficado. É nessa mesma região que está localizada a Formação Durupinar, no leste da Turquia, próxima ao Monte Ararat e à fronteira com a Armênia. O pesquisador independente Jimmy Corsetti comparou a representação do mapa de 1587 com a área da formação e encontrou semelhanças na localização indicada pelo documento. 

Ark 2019c A Formação Durupinar, no leste da Turquia, se destaca pelo formato semelhante ao casco de uma grande embarcação e é investigada por pesquisadores em busca de possíveis pistas associadas à Arca de Noé

A formação geológica tem um formato incomum que lembra o casco de um enorme navio ou embarcação. Para Jimmy, a posição e as proporções representadas no mapa guardariam semelhanças com o local investigado atualmente. A interpretação, no entanto, parte de uma associação feita pelo pesquisador e não representa uma confirmação arqueológica da existência da arca.

Formação Durupinar é investigada, mas ainda não há prova oficiais da localização da Arca de Noé

A coincidência cartográfica, por si só, não comprova que a Arca de Noé esteja na região. Mas ela ganha destaque porque a Formação Durupinar já é investigada há anos como uma possível localização da embarcação bíblica. Seu formato semelhante ao de um navio fez com que o local fosse associado ao relato do Dilúvio, embora sua origem e natureza ainda estejam sendo investigadas.

Uma equipe ligada ao Noah's Ark Scans, projeto internacional de pesquisa que utiliza tecnologias de radar e métodos de geofísica para investigar a Formação Durupinar, na Turquia, em busca de possíveis sinais da Arca de Noé, realizou levantamentos na região com radar de penetração no solo. As análises identificaram possíveis estruturas subterrâneas, descritas como corredores e cavidades, que os pesquisadores relacionaram ao possível interior de uma grande embarcação.

Também foram analisadas amostras de solo coletadas na formação. Os resultados divulgados apontaram níveis de matéria orgânica cerca de três vezes maiores que os encontrados em áreas próximas, além de concentrações de potássio 38% superiores. Esses dados foram interpretados pelos pesquisadores como possíveis sinais compatíveis com a decomposição prolongada de grandes quantidades de madeira. Nas proximidades da formação também foram encontrados corais fossilizados e conchas marinhas, elementos que alimentaram ainda mais as especulações sobre a região.

Por enquanto, o que existe é uma combinação de coincidências entre uma representação cartográfica de mais de 400 anos, uma formação geológica de aparência diferenciada e pesquisas  que tentam entender sua origem. Com isso, a conexão com a história bíblica continua sendo uma hipótese.

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