Está tão quente na Coreia do Norte que Kim Jong-un supostamente recomendou um prato nacional para enfrentar a onda de calor: sopa de carne de cachorro

O mesmo prato acabou simbolizando a crescente distância cultural e política entre dois países separados por apenas alguns quilômetros de fronteira

(Reprodução/Xataka)
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Bárbara Castro

Redatora

A Coreia do Norte está passando por uma das ondas de calor mais intensas dos últimos anos. Enquanto as temperaturas estão próximas a 40 graus Celsius e as noites tropicais impedem a atmosfera de esfriar, o regime de Kim Jong-un resgatou a recomendação que faz parte de seu discurso oficial há décadas: combater o calor comendo sopa de carne de cachorro, um prato tradicional que apresenta como um alimento particularmente nutritivo para suportar o verão.

A mídia estatal norte-coreana recomendou o consumo de dangogi guk, a tradicional sopa de carne de cachorro, como parte das medidas para lidar com a onda de calor.

A proposta surgiu junto com conselhos médicos convencionais, como hidratação, consumo de melancia, pepino ou feijão-mungo e conhecimento de primeiros socorros em caso de insolação. No entanto, foi a presença desse prato que colocou uma antiga tradição culinária de volta no centro do debate.

A sopa de carne de cachorro tem sido apresentada pela dieta por décadas como um tônico capaz de fortalecer o corpo durante os meses mais quentes do ano. Médicos entrevistados pela imprensa oficial afirmam que ela ajuda a prevenir o agravamento de doenças cardiovasculares, diabetes ou distúrbios hormonais causados pelo estresse térmico.

Essa visão, na verdade, faz parte de uma tradição profundamente enraizada na Coreia do Norte, onde o prato mantém um importante valor cultural.

A verdade é que a recomendação do dangogi guk não começou com essa onda de calor. Pyongyang tem promovido há anos restaurantes especializados, competições gastronômicas e iniciativas voltadas para fortalecer o prestígio culinário da carne de cachorro. Mais do que uma simples receita, o regime a apresenta como um sinal de identidade nacional e como uma forma patriótica de enfrentar as dificuldades do verão. 

Embora o governo promova isso regularmente, a sopa está longe de ser um alimento diário para a maioria da população. Diversos especialistas e ex-diplomatas norte-coreanos concordam que é um prato caro, acessível a poucas casas. 

A diferença entre as duas Coreias nunca foi tão evidente nessa área. A Coreia do Sul aprovou uma lei em 2024 proibindo a criação, abate, distribuição e venda de cães destinados ao consumo humano. Após um período de transição de três anos, a proibição entrará em vigor total em 2027, encerrando uma prática que por gerações também fez parte da cultura alimentar sul-coreana.

Matéria traduzida de Xataka*



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