Entrada da SpaceX na bolsa revela um segredo incômodo: o Oriente Médio está pagando a festa da IA

Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos são investidores-chave para as empresas de tecnologia estadunidenses

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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A SpaceX acaba de protagonizar a maior abertura de capital de Wall Street, evento que vai transformar Elon Musk no primeiro trilionário da história. Com a abertura, muitos detalhes da empresa antes privados se tornaram públicos e, entre toda a documentação, ficou clara uma coisa: a Arábia Saudita e os Emirados Árabes estão financiando o boom da IA e isso não vai sair de graça.

Em 12 de junho, a SpaceX passou a ser negociada na Nasdaq com uma avaliação de 1,75 trilhão de dólares, a maior da história. Como aponta o Rest of World, essa IPO não serviu apenas para quebrar recordes, mas também revelou detalhes que até então eram privados. O formulário S-1, também conhecido como “prospecto”, tornou visível que a empresa prevê levantar 75 bilhões de dólares, dos quais pelo menos 5 bilhões virão do Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita.

A abertura de capital da SpaceX tornou públicos acordos que até então eram privados e consolida o Oriente Médio como investidor-chave no desenvolvimento tecnológico estadunidense. Essa operação se insere em uma estratégia mais ampla, na qual foram destinados dezenas de bilhões de dólares à IA dos EUA.

Isso pode ser visto em exemplos como o da Humain, a empresa estatal de IA da Arábia Saudita, que investiu 3 bilhões de dólares na xAI no início do ano — após a reestruturação, essas participações passaram a se converter em participações da SpaceX. Já a MGX, um fundo de investimento tecnológico sediado em Abu Dhabi, possui participações na OpenAI, na Anthropic e, agora, também na SpaceX.

O que eles obtêm em troca

O dinheiro investido vem acompanhado de uma série de exigências, sendo a principal a obrigação de construir infraestrutura de IA em seus territórios. Com esses acordos, eles deslocam toda a atividade econômica associada (empregos, receita fiscal etc.) para fora dos EUA, além de obterem transferência de conhecimento tecnológico. Em termos geopolíticos, contar com infraestrutura crítica também os protege de possíveis crises. Isso já está acontecendo:

  • A G42, conglomerado de Abu Dhabi, está construindo um megacentro de dados de 5 gigawatts que dará poder de computação para a OpenAI e outras empresas do Vale do Silício.
  • A Microsoft investiu 15,2 bilhões de dólares nos Emirados Árabes para a construção de centros de dados em parceria com a G42.
  • O acordo entre Humain e a xAI incluía a construção de um centro de dados de 500 megawatts na Arábia Saudita.

O capital do Oriente Médio foi essencial na abertura de capital da SpaceX, a ponto de os fundos soberanos do Golfo terem prioridade nas listas de inscrição.

A confiança entre Elon Musk e os investidores do Oriente Médio vem sendo construída desde que, em 2011, o príncipe saudita Alwaleed bin Talal investiu 300 milhões de dólares no então Twitter. Quando Musk comprou a rede social em 2022, Alwaleed se recusou a liquidar sua participação, alinhando-se a Musk. Depois, a xAI se fundiu com a SpaceX, fazendo com que aquele investimento se convertesse em participações da companhia.

Estima-se que, após a operação, a fortuna pessoal de Alwaleed tenha chegado a 27 bilhões de dólares, tornando-o um dos grandes vencedores.

Imagem | Xataka com Gemini

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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