No final de janeiro, a SpaceX deixou de se contentar em ser apenas SpaceX e adquiriu —ou talvez seja mais correto dizer “absorveu”— a xAI, a empresa de inteligência artificial também fundada por Elon Musk. Esse movimento, somado ao crescimento tanto da divisão espacial quanto da divisão de IA, impulsionou a avaliação conjunta. E, com essa valorização, há cada vez mais indícios de que a empresa já prepara uma espetacular abertura de capital.
A maior IPO da história
Já se fala que essa oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) pode se tornar a maior da história. A avaliação atual da companhia gira em torno de 1,75 trilhão de dólares e a empresa busca levantar cerca de 75 bilhões de dólares com essa abertura de capital — um valor bem superior aos 50 bilhões estimados anteriormente.
O recorde de valor de IPO até agora pertence à Saudi Aramco, que, em sua abertura de capital em 2019, arrecadou 29,4 bilhões de dólares. Se as previsões se confirmarem, a capitalização de mercado da SpaceX (incluindo a xAI) pode chegar a 1,5 trilhão de dólares, segundo alguns analistas — 94 vezes o que arrecadou em 2025. O site The Information especula que a avaliação potencial pode alcançar os já mencionados 1,75 trilhão de dólares.
A aquisição da xAI ocorreu em um momento curioso: vários dos cofundadores originais da empresa decidiram deixá-la nas últimas semanas. O próprio Elon Musk comentou os movimentos, afirmando que “a xAI se reorganizou há alguns dias para melhorar sua velocidade de execução”. Entre os que saíram estão Tony Wu, Greg Yang e Jimmy Ba, mas outros membros da equipe técnica também deixaram a empresa — e essa fuga de talentos não é um bom sinal, especialmente considerando que a xAI parece não estar competindo diretamente com OpenAI ou Anthropic em seus segmentos.
Foguetes reutilizáveis
A SpaceX, fundada em 2002, é a empresa espacial privada mais importante dos EUA e já realiza mais lançamentos por ano do que qualquer outra empresa no mundo. Os foguetes reutilizáveis Falcon 9 e o programa Starship transformaram a indústria aeroespacial e praticamente eliminaram a corrida espacial como a conhecíamos, já que, hoje, ninguém consegue competir com a SpaceX.
A abertura de capital acontece em um momento singular para a empresa, que se tornou absolutamente estratégica em vários setores. Seu crescimento de receita (cerca de 16 bilhões de dólares em 2025, segundo a Morningstar) vem do bom desempenho do negócio com a Starlink, mas não para por aí: a redução dos custos de lançamento e de colocação de satélites em órbita é uma enorme oportunidade e abre até a possibilidade de concretizar o novo objetivo de Elon Musk de criar centros de dados no espaço.
O mundo está agitado — e isso favorece a SpaceX. Também estamos vendo como os conflitos bélicos que surgem em diferentes regiões têm sido aproveitados pela empresa para “vender” o Starlink como uma opção de conectividade muito mais interessante — ou preocupante, dependendo do ponto de vista — quando as comunicações tradicionais falham.
Imagem de capa | Ministério das Comunicações | SpaceX
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
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