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Achávamos que conhecíamos o limite da tecnologia militar até a China chocar com a arma secreta que fará seus novos caças dominarem o mundo

Tecnologia chinesa aposta em um único motor hipersônico para atingir velocidades extremas com mais eficiência

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Laura Vieira

Redatora
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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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A troca de motores em voo, uma manutenção pesada e planejada, onde o propulsor inteiro é removido da asa e substituído por um novo ou revisado, pode estar chegando ao fim. Após mais de 30 anos de desenvolvimento, pesquisadores chineses anunciaram a criação de um motor de respiração atmosférica capaz de operar de forma contínua desde a decolagem até velocidades superiores a Mach 6, o equivalente a seis vezes a velocidade do som. 

O projeto foi desenvolvido por uma equipe ligada à Academia Chinesa de Ciências, mas ainda está sendo testado. A expectativa é que, no futuro, caças e mísseis de próxima geração possam ser equipados com o motor, eliminando a necessidade de múltiplos sistemas de propulsão, um dos grandes desafios da engenharia aeroespacial atual.

Adeus, sistemas duplos: novo motor quer operar do zero a Mach 6 sem interrupções

Motor Hipersonico O motor de respiração atmosférica temmaior eficiência energética com menor tamanho e peso.

A China é conhecida por apostar em projetos e soluções tecnológicas desafiadoras, especialmente quando o assunto é velocidade. Agora, eles desenvolveram um motor que pode mudar a forma como as aeronaves são projetadas no futuro: um tipo de motor de respiração atmosférica projetado para funcionar em toda a faixa de velocidade. Ou seja, ele não depende de outro motor para assumir o controle quando o avião acelera, algo que os sistemas atuais ainda não conseguem fazer com eficiência. 

Hoje, aeronaves de alta velocidade dependem de dois tipos de motores porque cada um funciona melhor em uma etapa diferente do voo. As turbinas são responsáveis pela decolagem e pelas velocidades mais baixas, chegando até cerca de Mach 3. Já os ramjets (estatorreatores) só conseguem operar quando a aeronave já está muito rápida, pois precisam do ar entrando em alta velocidade para gerar empuxo, ou seja, não funcionam quando o avião ainda está “lento”.

Essa combinação cria um problema: quando um sistema está ativo, o outro não funciona, além de tornar a transição entre modos um processo complexo e arriscado. O novo motor tenta resolver isso com uma estrutura diferente:

  • Dois conjuntos de compressores que giram em direções opostas;
  • Redução das forças centrífugas nas peças internas;
  • Maior eficiência energética com menor tamanho e peso;
  • Eliminação da necessidade de alternar entre sistemas de propulsão.

China e Estados Unidos avançam na disputa por motores para voos hipersônicos

Mesmo ainda em fase de testes, o motor já começa a atrair atenção por causa do impacto estratégico que pode ter. Afinal, dominar esse tipo de tecnologia significa reduzir a dependência de componentes e sistemas desenvolvidos por países ocidentais, uma batalha que a China tenta vencer há anos.

Além disso, sair na frente nesse tipo de tecnologia significa ganhar vantagem muito bem-vinda em um dos setores mais estratégicos hoje: o de aeronaves e mísseis hipersônicos. Esses equipamentos conseguem atingir velocidades extremamente altas e percorrer longas distâncias com mais rapidez e capacidade de manobra, sendo importantes tanto para defesa quanto para dissuasão militar. Por isso, especialistas acreditam que o desenvolvimento desse motor pode aumentar a autonomia tecnológica da China e fortalecer sua posição na disputa global por liderança em tecnologias de ponta.

Afinal, essa corrida não está acontecendo só de um lado. Empresas norte-americanas como GE Aerospace e Lockheed Martin também estão desenvolvendo motores hipersônicos próprios, mas apostando em um caminho diferente, que são os motores de detonação rotativa, que utilizam ondas de explosão controladas para gerar empuxo com mais eficiência. 

Isso significa que, enquanto a abordagem chinesa foca no controle do fluxo de ar e compressão, a americana aposta na forma como o combustível é queimado. Porém, as duas tentam resolver o mesmo desafio, que é tornar o voo hipersônico mais viável, eficiente e acessível.



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