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Um escrito grego misterioso pode revelar a localização de um antigo templo perdido que é procurado até os dias atuais

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Vika Rosa

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.


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Uma descoberta arqueológica feita na Síria pode ajudar a resolver um debate que já dura décadas entre historiadores e arqueólogos. Uma inscrição em grego encontrada dentro da Grande Mesquita de Homs pode indicar a localização de um antigo templo dedicado ao deus solar Elagábalo — um santuário cuja posição exata permanece incerta há muito tempo.

A inscrição foi encontrada na base de uma coluna durante trabalhos de restauração no interior da mesquita. Esculpido diretamente em um bloco de granito, o texto apresenta uma escrita formal organizada em linhas horizontais, típica de inscrições comemorativas ou dedicatórias da Antiguidade.

Segundo os pesquisadores, o achado pode ajudar a esclarecer se a atual mesquita foi construída sobre as ruínas do chamado Templo do Sol de Elagábalo, um importante centro religioso da antiga cidade de Emesa, nome pelo qual Homs era conhecida na época romana.

Um local sagrado que atravessou várias religiões

A área onde hoje se encontra a Grande Mesquita possui uma história extremamente complexa. Evidências históricas sugerem que o local pode ter passado por três grandes fases religiosas ao longo dos séculos: primeiro como templo pagão, depois como igreja cristã e, finalmente, como mesquita após a expansão islâmica.

O estudo recente, publicado na revista acadêmica Shedet (link no primeiro parágrafo), revisita justamente essa hipótese. O arqueólogo Maamoun Saleh Abdulkarim, da Universidade de Sharjah, acredita que a inscrição recém-estudada pode ser uma pista crucial para entender a evolução religiosa do local.

De acordo com ele, se a ligação entre o texto e o culto solar for confirmada, isso indicaria uma continuidade arquitetônica e religiosa, em vez de uma substituição abrupta de crenças. Ou seja, diferentes religiões teriam reutilizado o mesmo espaço sagrado ao longo de muitos séculos.

A inscrição também descreve um governante em termos heroicos, comparando-o a forças da natureza como o vento e a tempestade, além de animais predadores como o leopardo. Esse tipo de linguagem era comum em textos da época romana que exaltavam líderes militares e autoridades políticas.

A antiga cidade de Emesa era um importante centro religioso e comercial do Oriente Médio romano. Seu principal culto era dedicado ao deus solar Elagábalo, cuja elite sacerdotal possuía grande poder político. Um de seus sacerdotes chegou inclusive a se tornar imperador romano no século III.

Se confirmada, a descoberta reforça a ideia de que muitos locais sagrados do mundo antigo não desapareceram com a mudança das religiões, mas foram simplesmente reinterpretados e reutilizados por novas tradições espirituais ao longo da história.

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