Ter eletricidade na Lua apresenta desafios: as noites duram duas semanas e não há ar; esta célula de hidrogênio pretende resolver isso

  • A Teledyne firma acordo com a NASA para continuar avançando no desenvolvimento do sistema HEPS, uma célula de combustível a hidrogênio destinada a fornecer energia para missões na Lua;

  • Segundo a empresa, o sistema foi projetado para operar sem depender da atmosfera ao redor

Ter eletricidade na Lua apresenta desafios: as noites duram duas semanas e não há ar; esta célula de hidrogênio pretende resolver isso
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Fabrício Mainenti

Redator

A Teledyne Energy Systems, uma empresa americana de energia e tecnologia espacial, foi selecionada para trabalhar com a NASA no desenvolvimento de uma célula a combustível de hidrogênio. A ideia é que ela possa fornecer energia para as próximas missões a serem realizadas na Lua.

O acordo aproxima o sistema da Teledyne de uma possível instalação em foguetes para lançamento futuro, embora tudo indique que ainda falta bastante tempo para que isso se torne realidade.

Energia na Lua

A possibilidade de operar de forma permanente na Lua depende da disponibilidade constante de eletricidade. A noite lunar dura cerca de duas semanas, o que inviabiliza a dependência exclusiva de painéis solares.

Assim, as células a combustível surgem como uma das principais soluções para suprir essa lacuna. O HEPS (Hydrogen Electrical Power System) foi projetado para funcionar sem depender da atmosfera circundante — algo de que a Lua carece.

Os detalhes

O trabalho está inserido no Space Act Agreement, um modelo de colaboração utilizado pela NASA com empresas privadas. Dois centros da NASA participam da iniciativa: o Glenn Research Center e o Johnson Space Center. A Teledyne afirma que o objetivo é elevar o HEPS do nível de prontidão tecnológica (TRL) 5 para o TRL 7.

O TRL é uma escala de nove níveis utilizada pela NASA para determinar o grau de maturidade de uma tecnologia. No TRL 5, os componentes foram validados em um ambiente relevante; já o TRL 7 é alcançado quando um protótipo consegue operar em um ambiente operacional relevante para o espaço.

Segundo a Teledyne, as instalações da NASA serão utilizadas para testar o funcionamento do sistema nessas condições.

Questões em aberto

Uma célula a combustível de hidrogênio necessita de um oxidante — geralmente oxigênio — para gerar eletricidade; portanto, um sistema sem acesso ao ar precisa transportar ou receber seu próprio oxidante. O anúncio não explica como o HEPS soluciona esse problema, se é capaz de regenerar seus reagentes ou qual é a sua capacidade de geração de energia. Também não oferece um cronograma ou um orçamento.

A Teledyne promete uma potência “escalável” para “operações de longa duração na superfície”. Barbara Stachowiak, vice-presidente e diretora-geral da empresa, classificou a seleção como um “marco importante”, afirmando que alcançar um nível de prontidão superior demonstraria o potencial da tecnologia para futuras explorações.

Vários projetos estão em andamento

A Teledyne não é a única a trabalhar nisso. Como noticiamos há alguns meses, a NASA está testando sua própria célula a combustível regenerativa, que combina hidrogênio e oxigênio para produzir eletricidade e água, e depois decompõe a água novamente para armazenar os reagentes e utilizá-los posteriormente. A agência afirma que o sistema foi projetado para suportar as temperaturas extremas da Lua e suas longas noites.

Imagem de capa | Teledyne

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