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Novo estudo de DNA revela que humanos chegaram na Austrália e Nova Guiné bem antes do que pensávamos: há 60.000 anos

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Vika Rosa

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.


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Um novo estudo genético trouxe evidências importantes sobre uma das grandes migrações da história humana. Pesquisadores descobriram que os primeiros Homo sapiens chegaram à região que hoje corresponde à Austrália e à Nova Guiné há cerca de 60 mil anos, um período anterior ao que algumas teorias sugeriam.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da University of Huddersfield e da University of Southampton (link no primeiro parágrafo), combinando genética, arqueologia e estudos ambientais para reconstruir o caminho percorrido por esses primeiros viajantes humanos.

Na época, durante a última Era do Gelo, o nível do mar era muito mais baixo do que hoje. Isso fazia com que Austrália e Nova Guiné formassem um único supercontinente conhecido como Sahul, o que facilitou a colonização da região por grupos humanos vindos do sudeste asiático.

DNA materno ajuda a reconstruir a jornada humana

Para investigar quando e como essa migração ocorreu, os cientistas analisaram DNA mitocondrial (mtDNA) — um tipo de material genético transmitido apenas pela linha materna. Como esse DNA acumula pequenas mudanças ao longo das gerações, ele funciona como uma espécie de “relógio molecular”, permitindo rastrear linhagens humanas ao longo de dezenas de milhares de anos.

A equipe examinou quase 2.500 genomas mitocondriais de populações da Austrália, Nova Guiné, Sudeste Asiático e do Pacífico. Com esses dados, os pesquisadores reconstruíram uma árvore genética que revela quando diferentes grupos humanos se separaram e migraram para novas regiões.

Os resultados indicam que as linhagens mais antigas exclusivas de australianos aborígenes e de povos da Nova Guiné remontam a aproximadamente 60 mil anos atrás, apoiando a chamada hipótese da “cronologia longa” da ocupação humana da região.

Duas rotas migratórias diferentes

Outro resultado interessante do estudo é que os primeiros humanos provavelmente não chegaram a Sahul por apenas um caminho.

A análise genética sugere pelo menos duas rotas migratórias diferentes a partir do Sudeste Asiático. Parte das populações parece ter vindo de regiões mais ao norte, como Filipinas e norte da Indonésia, enquanto outros grupos teriam migrado por áreas mais ao sul, incluindo Malásia, Indochina e sul da Indonésia.

Essa descoberta indica que esses primeiros viajantes possuíam habilidades avançadas de navegação e travessia marítima muito antes do que se imaginava.

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