A fronteira entre o biológico e o mecânico ficou ainda mais tênue. Pesquisadores na China desenvolveram uma "pele robótica neuromórfica" (NRE-skin) que permite que máquinas não apenas sintam o toque, mas também processem sinais de dor.
A inovação utiliza os mesmos princípios de sinalização dos nervos humanos para traduzir pressão física em impulsos elétricos, aproximando os robôs de uma sensibilidade tátil quase humana.
Diferente das peles artificiais convencionais, que apenas medem força, a NRE-skin mimetiza a biologia ao converter estímulos em picos de voltagem. Esses picos codificam quatro características essenciais: forma, magnitude, duração e frequência do toque.
Como o robô "sente" a dor
O sistema funciona de forma modular, com "ladrilhos" de polímero flexível que se conectam magneticamente. A inteligência por trás do sentido reside na forma como a informação é processada:
- Assim como nos nossos neurônios, quanto mais intensa é a pressão, maior é a frequência dos picos elétricos gerados.
- Os pesquisadores calibraram o sistema com base em níveis de pressão que humanos consideram dolorosos. Quando esse limite é ultrapassado, o robô gera um sinal de dor.
- Ao detectar "dor", o sistema aciona uma resposta motora imediata — como recuar o braço — sem precisar esperar pelo processamento do controlador central. É um reflexo idêntico ao que fazemos ao encostar em algo muito quente ou afiado.
Em testes, um braço robótico equipado com a pele recuou instantaneamente ao sofrer pressão excessiva, enquanto um rosto robótico conectado ao sistema alterou sua expressão facial de acordo com a força detectada.
Manutenção e autodiagnóstico
A pele também possui um sistema de "autoverificação". Cada sensor emite pulsos periódicos de "estou aqui". Se esses sinais param, a rede identifica imediatamente que aquela área específica da pele está danificada ou desconectada. Graças ao design modular, um segmento estragado pode ser substituído facilmente, e os contatos magnéticos alinham automaticamente a fiação e os canais de dados.
Embora seja um avanço gigante, a NRE-skin ainda foca apenas na pressão. A pele humana é muito mais complexa, distinguindo calor, frio e irritantes químicos.
No entanto, a compatibilidade desta pele com processadores neuromórficos (chips de baixo consumo que funcionam como redes neurais) abre caminho para robôs e próteses muito mais eficientes, capazes de interagir com o mundo de forma delicada e, acima de tudo, segura.
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