Este supervulcão pode ser alimentado por algo totalmente inesperado e por isso se mantém "vivo" há milhões de anos , afirmam pesquisadores

Um dos fenômenos geológicos mais poderosos da Terra

Vulcão
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Vika Rosa

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.

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O supervulcão de Yellowstone (ou Caldeira de Yellowstone), nos Estados Unidos, pode ser alimentado por um mecanismo completamente diferente do que os cientistas acreditavam até agora. Um novo estudo publicado na revista Science sugere que, em vez de receber magma diretamente de uma gigantesca pluma que sobe das profundezas da Terra, o sistema vulcânico pode ser abastecido por uma espécie de "vento" subterrâneo que transporta rochas quentes através do manto terrestre.

Isso ajudaria a explicar como Yellowstone consegue manter seu enorme sistema de magma ativo por milhões de anos e pode mudar a forma como os pesquisadores entendem outros supervulcões ao redor do planeta.

Supervulcões estão entre os fenômenos geológicos mais poderosos da Terra. Diferentemente de vulcões comuns, suas erupções podem lançar mais de 1.000 quilômetros cúbicos de magma, cinzas e rochas, provocando impactos capazes de alterar o clima global e afetar ecossistemas e sociedades inteiras.

O "vento do manto"

Vulcão de Yellowstone Vulcão de Yellowstone | Créditos: Unsplash/Dan Meyers

Durante décadas, a principal hipótese era que Yellowstone era alimentado por uma pluma mantélica profunda, uma coluna de material extremamente quente que subiria desde a região próxima ao núcleo terrestre. No entanto, o novo modelo tridimensional desenvolvido por pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências aponta para outra explicação.

Segundo o estudo, um amplo fluxo horizontal de material quente na astenosfera, camada localizada logo abaixo da litosfera, estaria transportando calor em direção a Yellowstone. Os cientistas chamam esse movimento de "vento do manto", embora ele não tenha relação com o vento da atmosfera. Na prática, trata-se de um lento deslocamento de rochas extremamente quentes no interior da Terra.

À medida que esse material encontra a espessa litosfera da América do Norte, ele é forçado para baixo e acaba criando condições ideais para o derretimento parcial das rochas, processo conhecido como fusão por descompressão. Esse material fundido dá origem ao magma que alimenta o sistema vulcânico.

Em vez de enormes câmaras preenchidas por magma líquido, Yellowstone parece possuir uma vasta rede subterrânea formada por regiões de rocha parcialmente derretida, conhecida como "pasta magmática". Apenas pouco antes de uma eventual erupção é que uma câmara mais rica em magma líquido poderia se formar temporariamente.

O chamado vento do manto ajuda a moldar a estrutura subterrânea de Yellowstone. O movimento do material quente, combinado com forças exercidas pela própria litosfera, cria uma espécie de canal inclinado que facilita a ascensão e a circulação do magma ao longo do tempo.

Ele poderia entrar em erupção?

O modelo apresentou resultados compatíveis com observações geofísicas e geoquímicas já registradas na região, oferecendo uma das explicações mais completas até hoje sobre a origem e a manutenção dos grandes sistemas magmáticos sob supervulcões.

Embora Yellowstone continue sendo monitorado constantemente devido ao seu potencial eruptivo, o novo estudo não indica que uma erupção seja iminente

No entanto, se ele entrasse, seria algo de proporções gigantescas, já que a magma poderia ser lançada há 1.000 quilômetros de distância e o fenômeno poderia durar semanas.

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