Uma descoberta arqueológica sem precedentes sob as ruas de Frankfurt, na Alemanha, está prestes a ser desvendada por uma força-tarefa de pesquisadores. O santuário romano da antiga cidade de Nida, revelado durante a construção de uma escola, recebeu um investimento conjunto de mais de 1 milhão de euros da Fundação Alemã de Pesquisa (DFG) e da Fundação Nacional de Ciência da Suíça (SNF). O objetivo é realizar uma investigação interdisciplinar profunda nos próximos três anos para entender a dinâmica de um dos complexos de culto mais intrigantes da Germânia Romana.
O sítio arqueológico conta com onze edifícios de pedra construídos em diferentes fases, além de 70 poços e dez valas destinados a depósitos rituais. O layout das estruturas é considerado altamente incomum, sem paralelos conhecidos em outras províncias romanas da Germânia ou da Gália. A preservação do local é excepcional, mantendo-se praticamente intacto desde a Antiguidade, o que oferece uma oportunidade rara para reconstruir a vida religiosa da época.
Pistas de banquetes e rituais perturbadores
Durante as escavações, os arqueólogos recuperaram uma vasta quantidade de materiais que apontam para práticas cerimoniais intensas. Foram encontrados milhares de fragmentos de gesso pintado, moedas e joias, além de restos de animais e plantas que sugerem a realização de refeições rituais em honra a diversos deuses, como Mercúrio, Diana, Apolo e Epona. No entanto, um achado específico chamou a atenção pela sua natureza sombria: a presença de um esqueleto humano dentro de um poço, junto a uma estatueta de bronze e inscrições datadas de 246 d.C.
A descoberta deste esqueleto levanta a forte suspeita de sacrifício humano, uma prática extremamente rara e chocante para a região naquele período. Os pesquisadores agora correm contra o tempo para analisar as 150 amostras coletadas e determinar se o local servia como palco para rituais letais ou se a deposição do corpo teve outra motivação religiosa.
Nida foi um hub econômico e cultural fundamental desde sua fundação no século I até ser abandonada por volta de 275 d.C.
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