Arroz na Lua deixou de ser só ficção: grão é cultivado com sucesso em simulador de solo lunar

Agricultura fora da Terra está cada vez mais próxima

Solo lunar
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Vika Rosa

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.

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Cultivar alimentos na Lua sempre foi um dos maiores desafios para futuras missões espaciais. Agora, pesquisadores japoneses deram um passo importante nessa direção ao desenvolver uma tecnologia capaz de produzir fertilizante usando apenas ar, eletricidade e água, permitindo que mudas de arroz crescessem com sucesso em um simulador de solo lunar.

O estudo foi conduzido por cientistas da Universidade de Tohoku em parceria com a Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA) e publicado na revista npj Microgravity.

Diferentemente da Terra, a superfície da Lua não possui matéria orgânica nem nutrientes essenciais para o crescimento de plantas. Além disso, compostos ricos em nitrogênio, fundamentais para praticamente todas as culturas agrícolas, são praticamente inexistentes no regolito lunar, nome dado ao solo que cobre a superfície do satélite.

Sem uma fonte de nitrogênio, cultivar alimentos para astronautas seria extremamente difícil.

Tecnologia produz fertilizante usando o próprio ar

Para resolver esse problema, os pesquisadores criaram um pequeno equipamento que utiliza plasma alimentado por eletricidade, que poderia ser gerada por painéis solares na Lua.

O dispositivo transforma o nitrogênio presente no ar em pentóxido de dinitrogênio (N₂O₅), um composto que, ao ser dissolvido em água, gera nitrato, uma das principais formas de nitrogênio absorvidas pelas plantas.

O equipamento consome menos de 100 watts de potência e apresenta eficiência próxima de 100% na dissolução do composto em água.

Arroz cresceu em solo que imita a Lua

Os pesquisadores utilizaram um simulador de regolito lunar para testar a tecnologia. Após receber a solução produzida pelo equipamento, o solo apresentou mudanças importantes:

  • O pH caiu de 9,09 para 6,76, faixa muito mais favorável ao desenvolvimento das plantas
  • Minerais importantes, como cálcio, magnésio e potássio, passaram a ficar disponíveis para absorção pelas raízes
  • A liberação de alumínio tóxico, que dificulta o crescimento vegetal, foi reduzida

Como resultado, as mudas de arroz cresceram significativamente mais do que aquelas irrigadas apenas com água.

Cerca de quatro meses após o plantio, as plantas chegaram à fase de formação das espigas, um importante indicativo de que o cultivo estava se desenvolvendo normalmente.

Quando o gás produzido pela tecnologia foi aplicado diretamente sobre as folhas, ele ativou mecanismos naturais ligados aos hormônios das plantas, aumentando sua resistência e fortalecendo o sistema de defesa contra estresses ambientais.

Além disso, o tratamento reduziu o alongamento excessivo dos caules, característica considerada importante para o cultivo em ambientes de baixa gravidade, como a Lua.

Tecnologia também pode beneficiar a agricultura na Terra

Embora o objetivo principal seja permitir futuras fazendas lunares, os pesquisadores afirmam que a tecnologia também possui potencial para uso terrestre.

Atualmente, a produção de fertilizantes nitrogenados depende de processos industriais que consomem grandes quantidades de energia e combustíveis fósseis.

O novo método funciona apenas com eletricidade e baixa potência, podendo oferecer uma alternativa mais sustentável para produzir fertilizantes tanto em futuras bases espaciais quanto na agricultura do planeta.

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