Ele pode "voar" deslizando sobre a água, atingir velocidades de 185 km/h e não precisa de aeroporto: essa é a nova promessa de transporte que está sendo testada por uma empresa de Singapura

O AirFish Voyager busca conquistar seu próprio nicho entre balsas e aeronaves

O AirFish Voyager busca conquistar seu próprio nicho entre balsas e aeronaves.
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Fabrício Mainenti

Redator

Existem viagens de curta distância que, até hoje, ainda são realizadas por balsas ineficientes ou voos nem sempre práticos. Nesse meio-termo, uma empresa sediada em Singapura começou a explorar uma alternativa diferente: um veículo capaz de viajar em alta velocidade sem sair da água e sem depender de aeroportos.

Não se trata apenas de um conceito, mas de um projeto industrial com cronogramas definidos, alianças estratégicas e rotas em avaliação para 2026.

A proposta se materializa no AirFish Voyager, um dispositivo criado pela empresa singapuriana ST Engineering AirX que desafia as categorias tradicionais por não ser nem um barco nem um avião, mas sim um veículo de asa no solo (WIG, na sigla em inglês), capaz de viajar em baixas altitudes acima da água graças ao efeito solo.

Esse fenômeno aerodinâmico comprime o ar entre a asa e a superfície, gerando maior sustentação e reduzindo o arrasto. Graças a isso, o modelo poderia atingir velocidades próximas a 185 km/h, superando em muito as balsas convencionais.

Sua estreia pública ocorreu no Singapore Airshow, onde a empresa apresentou o progresso do programa. Desde 2024, o veículo está sendo avaliado pelo Bureau Veritas, a organização internacional responsável por sua certificação. A aprovação é fundamental para sua entrada em operação e é esperada para meados de 2026.

Paralelamente, a empresa firmou acordos com diversas operadoras marítimas com a intenção de iniciar os serviços no segundo semestre do mesmo ano, sempre sujeitos à validação final.

A primeira rota concreta no mapa

O cenário mais imediato prevê sua estreia na conexão entre Singapura e Batam, na Indonésia. Lá, a operadora BatamFast planeja incorporar uma unidade AirFish Voyager que, segundo as previsões, poderá reduzir a viagem para cerca de 25 minutos graças à maior velocidade do veículo, bem acima dos tempos atuais de ferry.

Se o cronograma previsto for cumprido, essa conexão marcará o início da primeira rota comercial do mundo baseada na tecnologia WIG.

A próxima frente de implantação é na Índia, onde a operadora Wings Over Water Ferries manifestou a intenção de integrar até quatro unidades a partir do final de 2026. O foco inicial está em regiões costeiras com alta atividade turística e necessidades de transporte regional, como as Ilhas Andaman e Nicobar, Andhra Pradesh e Tamil Nadu.

O acordo abrange não apenas a operação das embarcações, mas também o desenvolvimento de capacidades locais em montagem, fabricação, manutenção e treinamento, em consonância com o incentivo industrial do programa "Make in India".

Além do desempenho e dos acordos comerciais já anunciados, o verdadeiro desafio continua sendo a certificação: a empresa está empenhada em garantir que o AirFish Voyager esteja em conformidade com as regulamentações marítimas, o que simplificaria os requisitos de infraestrutura e facilitaria sua integração às rotas costeiras existentes, utilizando portos tradicionais.

Mesmo assim, o processo de validação ainda está em andamento e será crucial para que o projeto dê o salto final para a operação comercial.

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