Chery anuncia primeiro carro elétrico com bateria de estado sólido, com autonomia de 1.500 km — mas há uma pegadinha

Essa autonomia é no muito permissivo ciclo chinês CLTC

Exeed Liefeng / Imagem: Chery
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Por anos, a bateria de estado sólido foi apresentada como o objetivo dos sonhos da indústria automobilística. Maior autonomia com menor peso, recarga ultrarrápida e mais segurança: as promessas nunca faltaram, embora sempre parecessem relegadas a um futuro distante.

No entanto, agora, uma montadora chinesa afirma estar pronta para dar esse passo decisivo. Com o modelo Exeed Liefeng, a marca Chery apresenta o primeiro carro de produção em série equipado com uma bateria de estado sólido, que promete uma autonomia de 1.500 quilômetros em condições de temperaturas extremas, a -30 °C.

O anúncio tem grande impacto, mas, até o momento, não está claro se estamos falando de um verdadeiro avanço tecnológico ou de uma estratégia de marketing. 

Fundada em 1997, a Chery figura entre os gigantes chineses do setor. Possui, por exemplo, as marcas Omoda e Jaecoo, que fazem sucesso na Europa. Também tem uma marca de luxo na China, a Exeed, que agora pretende se posicionar como pioneira em uma tecnologia que todos os grandes fabricantes almejam.

O Exeed Liefeng deverá vir equipado de série com uma bateria de eletrólito sólido, com comercialização prevista em breve no mercado chinês. Uma novidade pioneira em um cenário onde a maioria dos concorrentes (europeus, norte-americanos e japoneses) permanece em fases de testes — ninguém terá seu modelo com bateria de estado sólido pronto antes de 2030.

Exeed

Diferentemente das atuais baterias de íons de lítio, que utilizam um eletrólito líquido, a bateria de estado sólido dispõe de um eletrólito sólido. Essa mudança, embora pareça simples, transforma radicalmente toda a estrutura da bateria.

Esse tipo de bateria permite uma densidade energética significativamente superior, uma redução importante dos riscos de incêndio e uma maior estabilidade a longo prazo. Dito de forma clara: mais energia armazenada no mesmo volume, com menos estresse térmico e químico, permitindo recarregar na mesma velocidade com que abastecemos com gasolina e uma bateria com vida útil semelhante ou superior à de um motor a gasolina. Apenas novidades boas.

Tudo isso permitiu à Chery prometer 1.500 km de autonomia com uma única carga. Como sempre acontece com os anúncios das marcas chinesas nesses casos, trata-se de um número obtido no ciclo de homologação chinês CLTC, que é inspirado no antigo ciclo europeu NEDC. Em outras palavras, é totalmente irrealista.

Em geral, é preciso descontar cerca de 40% da autonomia CLTC para chegar a um valor médio mais próximo do WLTP europeu, que ainda assim continua sendo apenas aproximado. Neste caso, estamos falando de algo entre 900 e 1.000 km. Ainda assim, a autonomia do Exeed Liefeng ainda seria claramente superior à média atual, reduzindo de forma significativa a ansiedade com recargas em viagens de longa distância.

Exeed

Convém conter o entusiasmo. A Exeed traçou um calendário de expansão em fases. Ao longo de 2026, buscará uma operação no setor de transporte compartilhado e no mercado de locação para reunir dados operacionais adicionais. A produção em série em larga escala está prevista para 2027.

Por outro lado, especialistas das principais empresas de baterias e fabricantes da China, como a CATL, emitiram alertas durante a Conferência Mundial de Baterias de Potência realizada em Sichuan sugerindo que essa tecnologia ainda está longe de estar pronta para uma comercialização em larga escala.

Em todo caso, em 2026, veremos se as baterias de estado sólido serão uma realidade comercial ou se continuarão limitadas aos laboratórios e protótipos.

Este texto foi traduzido/adaptado do site Motorpasión.


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