Os banners de cookies viraram parte inevitável da navegação na internet. Em teoria, eles existem para dar controle ao usuário, permitindo aceitar ou rejeitar o rastreamento. Na prática, porém, essa escolha pode não estar sendo respeitada.
Uma auditoria independente realizada pela empresa webXray indica que grandes plataformas de tecnologia continuam coletando dados mesmo após usuários clicarem em “rejeitar cookies”. O estudo analisou o comportamento de centenas de sites e serviços de publicidade, revelando um cenário que coloca em dúvida a eficácia real desses mecanismos de consentimento.
Os números chamam atenção. Segundo o relatório, 55% dos sites analisados ainda configuram cookies mesmo após a recusa explícita, enquanto 78% dos banners de consentimento não aplicam de fato a escolha do usuário. Ou seja, em muitos casos, a opção de rejeitar existe apenas na interface.
Consentimento importa?
O problema não estaria restrito a casos isolados. A auditoria identificou cerca de 200 serviços de publicidade ignorando sinais de opt-out — muitos deles operando dentro de regras inspiradas nas leis europeias de privacidade, que exigem consentimento claro antes da coleta de dados.
Entre as empresas citadas estão Google, Microsoft e Meta. De acordo com o estudo, sistemas ligados ao Google ignorariam até 86% das solicitações de rejeição, mantendo rastreamento ativo em grande parte dos sites. Já a rede da Microsoft deixaria de respeitar cerca de metade desses sinais, ainda rastreando usuários em aproximadamente 35% dos casos analisados.
A situação da Meta seria ainda mais crítica: o relatório aponta que, em muitos cenários, seus sistemas sequer verificam se o usuário optou por não ser rastreado.
Consequências e multas
Para a webXray, há um fator econômico por trás desse comportamento. A empresa estima que o setor pode estar disposto a pagar bilhões de dólares em multas — cerca de US$ 5,8 bilhões — em vez de adaptar totalmente seus sistemas às regras de privacidade.
As três empresas contestaram as conclusões. A Microsoft argumentou que alguns cookies são essenciais para o funcionamento dos sites, enquanto a Meta afirmou que certas implementações permitem que os próprios sites ignorem sinais de recusa. O Google também questionou a metodologia utilizada na auditoria.
Ainda assim, o relatório reforça uma percepção cada vez mais comum: os banners de cookies, criados como uma ferramenta de transparência, podem estar funcionando mais como um ritual obrigatório do que como um mecanismo efetivo de controle.
No fim das contas, a promessa de escolha pode existir, mas a execução dessa escolha ainda está longe de ser garantida.
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