Intel acredita que apoio do governo dos EUA sairá muito caro: empresa se prepara para possível fracasso em outros países

  • SoftBank injetou US$ 2 bilhões na Intel

  • Em 2024, 76% da receita da empresa veio de vendas fora dos EUA

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PH Mota

Redator
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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

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Na semana passada, surgiu uma das notícias mais relevantes do verão: o governo dos EUA estava negociando com a Intel a possibilidade de adquirir uma participação de 10% na empresa. A maioria das decisões tomadas pelo governo desde que Donald Trump retornou à Casa Branca, em 20 de janeiro, tem um único objetivo: fortalecer e tornar independente a indústria de semicondutores dos EUA.

A Intel é a maior fabricante de chips do país, portanto, permitir sua queda não é uma opção para Washington. Esse princípio levou ao desfecho já esperado: os EUA finalmente compraram 10% da Intel para salvá-la da falência. O governo americano tornou-se acionista, mas se comprometeu a não interferir nas decisões da companhia. À primeira vista, parece uma ótima notícia para a Intel, mas pode não ser tão vantajosa. A própria empresa reconheceu isso.

Vendas no exterior e o acesso a subsídios futuros estão em risco

Lip-Bu Tan, CEO da Intel, declarou em vídeo publicado pelo Departamento de Comércio dos EUA que a entrada do governo no capital da empresa é positiva: "Não preciso do subsídio, mas confio que o governo americano finalmente será nosso acionista". A fala ocorreu antes da assinatura do acordo, mas, poucas horas após a oficialização do negócio, a Intel admitiu — conforme noticiado pela Reuters e pela CNBC — que a entrada do governo em sua estrutura acionária poderia prejudicar os negócios no exterior e limitar o acesso a futuros subsídios.

O mercado americano é importante para a Intel, mas o internacional é ainda mais decisivo. Em 2024, 76% de sua receita veio de vendas fora dos EUA e, curiosamente, a China representou nada menos que 29% desse total. Dos US$ 53,1 bilhões faturados pela companhia no ano passado, US$ 15,4 bilhões vieram da China. Esses números mostram a relevância do país liderado por Xi Jinping para a Intel — e também o quanto a empresa é sensível ao contexto geopolítico.

As sanções impostas à China pelo governo americano nos últimos três anos impediram a companhia de vender seus chips mais avançados a clientes chineses. O mesmo ocorreu com NVIDIA, AMD, Broadcom e Qualcomm, mas a Intel atravessa um momento especialmente delicado. Além disso, a situação pode ser agravada pela guerra comercial atualmente em curso entre os EUA e a China.

Projetistas e fabricantes de chips chineses conseguem abastecer seu mercado interno com semicondutores maduros, usados em eletrodomésticos, telecomunicações e automóveis, entre outros setores. No entanto, muitos usuários, centros de pesquisa e universidades no país ainda utilizam softwares baseados em processadores x86 e x86-64, o que os impede de prescindir, por enquanto, das CPUs da Intel.

A empresa tem se beneficiado dessa dependência. A China vem aumentando significativamente a demanda por microprocessadores mais antigos, voltados a computadores pessoais e servidores. A entrada do governo dos EUA em seu capital pode abalar a confiança da China e de outros países nos produtos da Intel, o que, na prática, poderia resultar em queda nas vendas internacionais, um pilar essencial da companhia. Foi exatamente isso que a Intel antecipou a seus investidores, prevendo um possível impacto negativo em seus negócios no exterior.

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Saiba mais | Reuters | CNBC

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