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Segundo psicólogos, adultos que cresceram tendo Vegeta como personagem favorito em Dragon Ball são melhores do que os que preferiam Goku

Complexidade do personagem torna mais fácil para o público se identificar com ele

Dragon Ball
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Muita gente que cresceu na década de 1990 costumava chegar da escola, ligar a televisão e correr para assistir a um dos animes mais populares da história: Dragon Ball Z. Mas essa lembrança ganha um significado especial quando se percebe que houve quem crescesse tendo como personagem favorito alguém que se distancia completamente do herói tradicional: Vegeta.

O orgulhoso príncipe saiyajin foi apresentado inicialmente como um vilão impiedoso. No entanto, bastou pouco mais da metade da série para que seu lado humano viesse à tona. Seu arco de redenção e amadurecimento acaba elevando o personagem a um patamar que, para muitos, supera até mesmo o do protagonista, Goku. E, segundo a psicologia, essa é uma preferência bastante interessante.

De acordo com um estudo da psicóloga Mariska Kleemans, os anti-heróis costumam exercer um grande fascínio sobre o público. A pesquisadora chegou a essa conclusão depois de mostrar a 164 participantes filmes protagonizados por figuras moralmente ambíguas, como Leon (O Profissional) e Patrick Bateman (Psicopata Americano).

O estudo concluiu que o apelo desses personagens não depende tanto da oposição clássica entre heróis e vilões, mas da complexidade de suas transformações. Os espectadores não recebem essas histórias de forma passiva. Pelo contrário: eles abraçam a constante incerteza sobre a evolução dos personagens, o que transforma essas narrativas em experiências intensas e envolventes.

Nesse contexto, Vegeta representa uma evolução constante: ele começa como um inimigo disposto a destruir a Terra, mas suas decisões diante de Freeza, Majin Boo e da própria família revelam como o afeto, a responsabilidade e a paternidade transformam suas prioridades. Goku, por outro lado, mantém praticamente intacta sua essência bondosa desde o início.

Essa diferença explica por que tantos adultos se identificam mais com Vegeta: sua complexidade, suas contradições e o esforço para mudar fazem dele um personagem mais profundo. Por sua vez, os psicólogos Geoff Kaufman e Lisa Libby introduziram o conceito de “experience-taking” para descrever como certas histórias nos levam a adotar temporariamente a perspectiva de determinados personagens.

Não se trata apenas de sentir empatia por eles, mas de internalizar seus pensamentos, decisões e reações como se fossem nossos. Os estudos dos pesquisadores mostraram que esse processo de identificação pode influenciar o comportamento fora da ficção. Em outras palavras, conectar-se com personagens complexos como Vegeta pode moldar a forma como interpretamos e enfrentamos a realidade.

A conexão com Vegeta é especialmente significativa para quem cresceu assistindo a Dragon Ball nas décadas de 1980 e 1990, porque ele representa alguém que precisa conquistar seu lugar, aprende com os próprios erros e demonstra que até uma pessoa imperfeita pode se tornar um herói. Essa identificação favorece uma visão moral mais flexível, distante dos extremos. No fim das contas, nada é totalmente preto no branco.

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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