Brasil tem 10,2 milhões de devs no GitHub e já é o 4º do mundo

O relatório Octoverse 2026 mostra o país atrás só de EUA, Índia e China, com 3,28 milhões de programadores novos em um ano. E revela que a IA já escreve o primeiro rascunho de mais de 40% das mudanças de código feitas no GitHub

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Vinicius Braga

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Vinicius Braga

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Vinicius Braga trabalha há mais de 20 anos com conteúdo digital. Sempre foi um entusiasta da tecnologia e sempre acreditou que inovação não é só sobre máquinas ou códigos, mas sobre pessoas. No Xataka Brasil, usa suas experiências com mídia digital, dados e inteligência artificial para aproximar o público das grandes transformações do mundo tech e mostrar como o futuro já está acontecendo e pode ser acessado por todos.

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O Brasil chegou a 10,2 milhões de desenvolvedores no GitHub em setembro de 2026, segundo o Octoverse 2026, o relatório anual da plataforma, divulgado nesta semana junto com o GitHub Universe, a conferência da empresa em São Francisco. É a quarta maior comunidade do mundo, atrás de Estados Unidos (38,3 milhões), Índia (32 milhões) e China (12,4 milhões).

O GitHub é o maior site do mundo para guardar e compartilhar código de programas. Funciona como um Google Drive dos programadores: cada projeto fica lá, com o histórico de todas as mudanças, e outras pessoas podem ver, copiar e sugerir melhorias. Pertence à Microsoft desde 2018 e tem mais de 225 milhões de usuários.

Quantos desenvolvedores o Brasil tem no GitHub?

São 10,2 milhões. E o ritmo chama mais atenção que a posição: em doze meses, o país ganhou 3,28 milhões de programadores na plataforma, o terceiro maior salto do planeta. Só Estados Unidos e Índia cresceram mais, cada um com mais de 10 milhões de novos usuários.

O Brasil também está em quarto lugar em outra lista, a de quem mais envia código para projetos abertos, aqueles que qualquer pessoa pode ver e usar. A ordem é a mesma: EUA, Índia, China e Brasil. Logo atrás, no total de desenvolvedores, vêm Japão (7,15 milhões), Reino Unido (6,47 milhões), Indonésia (6,34 milhões) e Alemanha (6,30 milhões).

Por que o Brasil cresce tão rápido?

O relatório aponta o dinheiro digital como motor. Nas Américas, quem puxa o crescimento são as fintechs (empresas de tecnologia financeira) e os pagamentos digitais, e o Brasil é descrito como dono de um setor de fintech "maduro e em rápido crescimento". Quem viu a chegada do Pix e a explosão dos bancos digitais entende de onde vem tanta gente escrevendo código.

No ano passado, o GitHub fez uma projeção de quantos programadores cada país teria em 2030. Segundo a empresa, o Brasil já percorreu 25,8% do caminho até a marca prevista de 19,6 milhões. E o crescimento foi tão forte no mundo todo que o GitHub admite que ficou difícil prever os próximos anos: dos mais de 40 cálculos de previsão que a empresa fez até 2031, cerca de metade aponta para o número de programadores mais que triplicar.

O que a IA mudou no trabalho dos programadores?

A mudança mais visível é que a IA passou a escrever o primeiro rascunho. Não estamos falando de chatbots que só respondem perguntas, mas dos chamados agentes de IA: programas que recebem uma tarefa ("arrume esse erro", "crie essa função") e fazem o trabalho sozinhos, para uma pessoa revisar depois.

No GitHub, toda alteração num projeto começa com uma proposta de mudança, que os programadores chamam de pull request. Em setembro de 2026, mais de 40% dessas propostas começaram com um rascunho feito por um agente de IA. Em março, eram 17%. Só em setembro foram 110 milhões de propostas iniciadas assim.

Com a IA ajudando, o volume de trabalho explodiu. Nos últimos doze meses, os desenvolvedores enviaram código para o GitHub 17,9 bilhões de vezes, mais do que em 2024 e 2025 somados. As versões salvas de código chegaram a 34,3 bilhões, mais que o triplo de dois anos antes. E as propostas de mudança aprovadas também triplicaram, para 1,3 bilhão, uma média de 3,5 milhões por dia.

Um dado ajuda a medir o efeito: entre os projetos criados em 2026, os que já começaram configurados para trabalhar com agentes de IA tiveram, em média, oito vezes mais atividade do que os outros. Segundo o relatório, a virada aconteceu por volta de junho, quando esses agentes ficaram capazes de tocar uma tarefa por vários dias, e não só durante uma conversa.

Os programadores também não ficam presos a uma IA só. Em setembro, 61% dos usuários do GitHub Copilot, o assistente de programação do GitHub, que escolheram qual IA usar trocaram de modelo ao longo do trabalho. Nos planos pagos, foram 47 modelos diferentes no mês, e nenhum ficou com mais de 25% dos pedidos.

Quais linguagens de programação mais cresceram?

Linguagem de programação é o "idioma" em que o código é escrito. O pódio não mudou: TypeScript em primeiro, Python em segundo e JavaScript em terceiro, todas muito usadas em sites, aplicativos e inteligência artificial. Em um ano, o TypeScript ganhou 3,62 milhões de programadores ativos por mês, o Python 3,23 milhões e o JavaScript 1,82 milhão. O Rust, linguagem conhecida por ser segura, foi o que mais cresceu em porcentagem e dobrou de tamanho.

A IA também explica esse movimento. Nessas linguagens que mais cresceram, a IA participou de 40% a 44% das mudanças aprovadas. Em linguagens mais antigas e comuns em grandes empresas, como Java e C++, a fatia fica entre 21% e 34%. A leitura do GitHub é que, nas primeiras, é mais fácil conferir se o código feito pela IA está certo.

E há um efeito curioso: quando o programador não diz em que linguagem quer o projeto, quem escolhe é a IA. Entre os projetos de 2026 com uso de agentes, o TypeScript aparece como linguagem principal em 35% deles, contra 24% nos projetos sem agentes. Ou seja, a preferência da máquina começa a pesar no ranking.

O que o GitHub anunciou no Universe 2026?

O principal anúncio foi o GitHub Copilot Fusion, agora disponível para todos. Em vez de usar uma IA só, ele divide a tarefa entre várias: uma planeja, outra escreve o código, outra revisa. O sistema escolhe a melhor para cada etapa, pensando em qualidade, rapidez e custo. Segundo o GitHub, a versão mais potente chegou perto do Claude Opus 5.5 Max, da Anthropic, num teste de IAs programadoras da Artificial Analysis, custando metade e levando 40% menos tempo. É um resultado medido pela própria empresa.

As outras novidades vão na mesma direção, de deixar a IA trabalhar mais sozinha:

  • Aplicativo GitHub Copilot: junta as ferramentas de IA num lugar só, para acompanhar um trabalho do começo ao fim.
  • Copilot Projects: põe várias IAs para trabalhar ao mesmo tempo em projetos diferentes, com um painel para acompanhar tudo. Já está disponível.
  • Continuidade: dá para começar uma tarefa no aplicativo e terminar no computador do trabalho, sem perder o fio.
  • Copilot Automations: tarefas que rodam sozinhas, como organizar os relatos de erro de um projeto, e que agora sugerem melhorias a partir do que aprenderam.
  • Copilot code review Max: uma revisão de código mais caprichada, feita pela IA, para pegar erros graves antes de o programa ir ao ar.
GitHub/Divulgação Demonstração do Copilot Code Review no GitHub Universe 2026: a IA aponta um erro no código e sugere a correção. Foto: GitHub/Divulgação

Para empresas, muda o jeito de pagar. Clientes do plano GitHub Enterprise passam a usar as ferramentas de IA sem contratar uma assinatura à parte, pagando só pelo que consumirem. Por enquanto, isso é negociado com o time de vendas; a contratação direta pelo site vem "em breve", segundo a empresa.

Tanta IA trabalhando exige máquina. Só em 2026, o GitHub acrescentou 4 milhões de núcleos de processador aos seus servidores, além de muito mais espaço de armazenamento e de capacidade de internet. A plataforma também está espalhando seus servidores por várias regiões da nuvem da Microsoft, a Azure. A mudança deve terminar no começo de 2027.

O que observar daqui para frente

Os números do Octoverse são do próprio GitHub, que também vende as ferramentas de IA que aparecem crescendo no relatório. Ainda assim, a direção é clara: o primeiro rascunho do código está passando para a IA, e o trabalho humano está virando pedir, revisar e decidir o que entra.

Para o Brasil, a pergunta é se esse crescimento puxado pelas fintechs vai virar também mais projetos brasileiros entre os mais usados do mundo. Hoje o país já está no top 4. A China, 2,2 milhões de programadores à frente, é o próximo degrau.

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