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Lobos de 5 mil anos atrás redefinem o que sabíamos sobre domesticação dos cães e outros animais

Encontramos a "fase intermediária"?

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Vika Rosa

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.

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A relação entre seres humanos e lobos pode ter sido muito mais complexa do que os cientistas imaginavam. Um novo estudo encontrou restos de lobos com cerca de 3 mil a 5 mil anos de idade em uma pequena ilha no Mar Báltico onde esses animais jamais poderiam ter chegado sozinhos. A descoberta sugere que comunidades pré-históricas transportavam, alimentavam e possivelmente cuidavam desses lobos muito antes da domesticação completa dos cães.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Estocolmo, do Francis Crick Institute, da Universidade de Aberdeen e da Universidade de East Anglia e foi publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Uma ilha onde lobos não poderiam existir naturalmente

Os restos foram encontrados na caverna Stora Förvar, localizada na ilha sueca de Stora Karlsö. Com apenas 2,5 quilômetros quadrados, a ilha não possui mamíferos terrestres nativos e está cercada por mar aberto, tornando praticamente impossível que lobos a colonizassem naturalmente.

A explicação mais plausível é que esses animais foram levados por seres humanos, provavelmente de barco, durante o período Neolítico e a Idade do Bronze.

Essa conclusão já seria suficiente para tornar a descoberta incomum, mas as análises revelaram detalhes ainda mais surpreendentes.

Eram lobos, não eram cães

Os cientistas analisaram geneticamente dois canídeos encontrados no local. Os testes confirmaram que ambos eram lobos, sem sinais de mistura genética com cães.

Apesar disso, os animais apresentavam características normalmente associadas à convivência próxima com humanos.

Uma análise isotópica mostrou que sua alimentação era rica em proteínas marinhas, principalmente focas e peixes, exatamente a mesma base alimentar das comunidades que habitavam a ilha. Isso indica que os lobos provavelmente recebiam alimento das pessoas.

Além disso, eles eram menores do que os lobos encontrados no continente. Um dos indivíduos também apresentou uma diversidade genética excepcionalmente baixa, algo frequentemente observado em populações isoladas ou submetidas a algum tipo de manejo humano.

A domesticação pode não ter seguido um único caminho

Tradicionalmente, os cientistas acreditam que os cães surgiram a partir de lobos que, ao longo de milhares de anos, passaram a conviver cada vez mais com grupos humanos.

No entanto, os animais encontrados em Stora Karlsö não se encaixam perfeitamente nesse modelo.

Ainda não é possível determinar se esses lobos eram domesticados, mantidos em cativeiro ou apenas conviviam com as comunidades humanas de outra forma. Ainda assim, o fato de terem sido levados deliberadamente para uma ilha e compartilharem a alimentação dos habitantes aponta para uma relação contínua entre humanos e lobos.

É possível que diferentes grupos pré-históricos tenham experimentado formas variadas de convivência com esses animais, sem que todas elas tenham resultado diretamente na origem dos cães modernos.

Um lobo pode ter sido cuidado por humanos

Um dos lobos apresentava uma lesão grave em um dos ossos dos membros, suficientemente severa para dificultar sua capacidade de caçar. Mesmo assim, o animal sobreviveu por tempo suficiente para que a lesão deixasse marcas permanentes em seu esqueleto.

Para os cientistas, isso pode indicar que ele recebeu algum tipo de cuidado ou, pelo menos, viveu em um ambiente onde não precisava depender totalmente da caça para sobreviver.

Em vez de uma simples divisão entre animais selvagens e cães domesticados, pode ter existido uma longa fase intermediária, na qual comunidades humanas transportavam, alimentavam e talvez até administrassem populações de lobos.

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