Má fase da Starship acabou: voo 10 foi um sucesso e foguete provou ser capaz de lançar satélites Starlink

  • SpaceX planeja lançar até 60 satélites Starlink V3 em futuras missões da Starship

  • Em termos de largura de banda, é 20 vezes maior que a do Falcon 9 atualmente

Imagem | SpaceX
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PH Mota

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PH Mota

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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

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Após três tentativas frustradas e uma explosão catastrófica, a SpaceX pode respirar aliviada. O décimo voo de teste da Starship cumpriu todos os objetivos que até então lhe escapavam.

Em resumo, o maior foguete do mundo não apenas decolou e chegou ao espaço, ele também lançou sua primeira carga útil, reiniciou um motor no vácuo e sobreviveu a uma reentrada infernal para aterrissar de forma controlada no Oceano Índico.

O décimo voo de teste da Starship prova que o design iterativo da SpaceX ainda funciona. E embora a visão de uma nave espacial totalmente reutilizável para colonizar Marte ainda esteja distante, a Starship já pode começar a lançar satélites Starlink.

Começo promissor

No horário programado, os 33 motores Raptor do propulsor Super Heavy entraram em funcionamento, impulsionando a estrutura de mais de 120 metros de altura com um rugido ensurdecedor. Embora um dos motores tenha falhado no meio do caminho, isso não afetou a missão, demonstrando a redundância do sistema.

Enquanto queimava suas 4,9 mil toneladas de propelente, o enorme foguete Starship passou pela fase de maior estresse aerodinâmico e pela separação a quente, acionando os motores do estágio superior antes de se separar. O Super Heavy iniciou seu retorno, mas desta vez não buscava um pouso suave, e sim completar uma série de manobras arriscadas.

Arranha-céu flutuando no ar

O Booster 16 fez sua curva no ar com sucesso para mudar de trajetória. Após planar por alguns minutos com suas grades aerodinâmicas e se aproximar do Golfo do México, desativou intencionalmente um de seus motores centrais para testar se um motor reserva poderia assumir o controle.

O momento mais incrível aconteceu logo depois, quando o foguete de 70 metros usou dois motores para pairar sobre o oceano antes de desligar e cair. Como apontou um comentário, "eles simplesmente pairaram como um prédio de 20 andares no ar". Um marco que mostra até que ponto a SpaceX domina a captura do Super Heavy com a torre de lançamento, mesmo que a reentrada seja difícil.

Dispensador de PEZ em ação

Enquanto o Super Heavy completava sua missão, a Starship 37 continuou sua jornada espacial. Uma vez em sua trajetória suborbital, chegou a hora de dois dos testes mais aguardados do dia.

Primeiro, a abertura do compartimento de carga e o primeiro lançamento de uma carga útil. Usando um mecanismo que lembra um dispensador de balas PEZ, a espaçonave ejetou oito simuladores de satélite Starlink, um por um. Este teste é crucial, pois o futuro da Starship como veículo pesado depende dele.

Tudo pronto para lançar Starlinks

A SpaceX planeja lançar até 60 satélites Starlink V3 em futuras missões da Starship, adicionando 60 Tbps de capacidade à constelação a cada lançamento, um número mais de 20 vezes superior ao que um Falcon 9 transporta com a atual versão V2 Mini.

O foguete é capaz de atingir a órbita, lançar a carga útil (sim, leva um minuto por satélite) e então sair de órbita. O voo 10 demonstrou mais uma vez a reativação de um motor Raptor no vácuo. Essa capacidade é essencial para frear o foguete de forma controlada ou realizar uma injeção translunar nas missões Artemis da NASA.

Sobrevivendo ao inferno para contar a história

Após uma hora de voo, a Starship iniciou sua reentrada na atmosfera terrestre em velocidades hipersônicas. Esse foi o momento em que missões anteriores falharam. Neste voo, no entanto, a espaçonave demonstrou uma robustez que lembrava a dos primeiros lançamentos.

Embora as câmeras de bordo mostrassem danos visíveis (partes dos ailerons queimaram e o compartimento do motor sofreu uma pequena explosão), crucialmente, a Starship manteve o controle aerodinâmico durante toda a descida. Guiada por seus ailerons, ela cruzou o plasma incandescente da reentrada com total estabilidade.

O voo culminou num pouso suave e controlado no Oceano Índico. Embora a nave estivesse bastante danificada, o simples fato de ter completado a reentrada e o pouso dessa forma após três falhas consecutivas é uma vitória gigantesca para a SpaceX. É a prova definitiva de que a Starship pode decolar com lançamentos Starlink.

Imagem | SpaceX

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