China está construindo um aeroporto gigantesco em ilha artificial de 20 km²: engenharia não é o único desafio

Terminal já está em construção, mas futuras pistas ainda estão em fase de implantação

Dalian reconhece dificuldades e reforça controle em diversas frentes

Imagens | Governo Popular de Liaoning
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PH Mota

Redator
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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

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A China construiu a Barragem das Três Gargantas, conectou Hong Kong, Zhuhai e Macau com pontes, um túnel subaquático e ilhas artificiais, e estendeu a Ferrovia Qinghai-Tibete a uma altitude superior a 5 mil metros. A capacidade de engenharia do país acumulou projetos de uma escala difícil de ignorar nas últimas décadas. O projeto a seguir se encaixa perfeitamente nessa trajetória: um aeroporto gigantesco sendo construído em terras recuperadas do mar. No entanto, quando olhamos além da ilha artificial, descobrimos que o desafio não é mais apenas técnico.

Para encontrar esse projeto, precisamos viajar até Dalian, uma cidade portuária no nordeste da China, onde o futuro Aeroporto Internacional de Dalian Jinzhouwan está sendo construído. O complexo ocupará uma ilha artificial de 20,1 km² construída na Baía de Jinzhou, a cerca de três quilômetros do continente. A imagem pode sugerir um projeto muito mais avançado do que realmente está. O aeroporto ainda está em construção, embora o progresso registrado em 2026 mostre como alguns de seus principais elementos começam a emergir acima do solo.

A primeira fase nos permite compreender a escala do projeto. Os planos aprovados incluem um terminal de 500 mil m², uma pista norte de 3,6 mil metros e uma pista sul de 3,4 mil metros, além das instalações necessárias para carga, manutenção e operações aeroportuárias. O projeto foi dimensionado para atender até 43 milhões de passageiros, 550 mil toneladas de carga e correspondência e cerca de 330 mil movimentos de aeronaves por ano até 2035. Essas são capacidades projetadas para o futuro, não números de atividade atuais: todo o sistema precisará ser construído e comissionado primeiro.

Ter a ilha não significa ter o aeroporto

O último marco físico importante documentado foi alcançado no final de maio. As estruturas subterrâneas do núcleo do terminal e dos píeres C e E foram concluídas, permitindo que o trabalho avançasse para as seções acima do solo. Quase simultaneamente, as autoridades aprovaram o segundo pacote de projeto preliminar e orçamento, que abrange o aeródromo, a área de carga, a manutenção e diversas redes de serviços. Esses são dois avanços significativos: um já está se tornando visível e o outro permite a execução ordenada dos componentes restantes.

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Os dados oficiais mais recentes nos permitem qualificar essa sensação de progresso. O relatório do final de maio indicou que o tratamento do solo profundo estava 58% concluído e as estacas de fundação para o terminal e o viaduto de acesso estavam 84% concluídas. Também relatou a conclusão da pré-carga das áreas onde as duas pistas serão construídas. O que isso significa? Significa que o terreno aterrado passou por um processo de compressão e estabilização, não que as pistas já estejam construídas. Grande parte da infraestrutura aeroportuária ainda precisa ser construída sobre essa base.

A mudança ocorreu em 11 de junho, durante uma reunião do grupo responsável pela coordenação do novo aeroporto e sua zona econômica. As autoridades locais destacaram o progresso alcançado, mas reconheceram que o projeto ainda enfrenta dificuldades, desafios e gargalos que precisam ser resolvidos. A mensagem não descreve um projeto paralisado nem confirma atrasos específicos, mas rompe com a imagem de uma execução tranquila. A reunião priorizou a manutenção do cronograma de 2026, a aceleração de projetos complementares e a resolução dos problemas que ainda dificultam o progresso.

Com a construção do aeroporto, algumas obras preliminares e complementares essenciais permanecem inacabadas. A Câmara Municipal de Dalian solicitou a conclusão das desapropriações e realocações pendentes, bem como a aceleração da infraestrutura de acesso e a garantia de que as obras associadas progridam juntamente com o complexo principal. A declaração não especifica quantos terrenos, casas ou projetos são afetados. Confirma, no entanto, que a infraestrutura futura continua a depender de intervenções que se estendem muito além da própria ilha.

A segunda área sob análise é a financeira e administrativa. As autoridades querem ampliar os canais de financiamento e garantir que os fundos alocados ao projeto cheguem em quantidade suficiente e em tempo hábil. Também determinaram o monitoramento de custos ao longo de todo o processo, o reforço da supervisão das licitações e a redução dos riscos associados à contratação. As informações sugerem que vários elementos essenciais ainda exigem um acompanhamento mais rigoroso.

Nenhuma dessas frentes opera isoladamente, e esse será o verdadeiro teste para o projeto. Por ora, fontes oficiais continuam a indicar que a construção está em andamento e não relataram nenhuma paralisação ou atraso geral. A previsão oficial mais concreta, publicada pelo Departamento de Transportes de Liaoning em janeiro de 2024, apontava para a conclusão da construção e o comissionamento em 2028. Os trabalhos que se aproximam revelarão se Dalian conseguirá manter o projeto enquanto enfrenta as dificuldades reconhecidas por suas próprias autoridades.

Imagens | Governo Popular de Liaoning

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