Uma pesquisa conduzida por especialistas das universidades de Oxford, no Reino Unido, e do Kentucky, nos Estados Unidos, revelou um problema nas respostas de sistemas de inteligência artificial.
Ao ser questionado sobre quais estados brasileiros teriam maior concentração de pessoas inteligentes, o ChatGPT — ferramenta desenvolvida pela OpenAI — apresentou uma classificação que levantou críticas por reproduzir possíveis preconceitos regionais.
Na resposta gerada pelo sistema, estados como São Paulo, Distrito Federal, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina apareceram entre os “mais inteligentes”. Já estados do Norte e do Nordeste, como Pará e Maranhão, receberam pontuações mais baixas.
O detalhe que chamou atenção dos pesquisadores é que a inteligência artificial não apresentou critérios claros para justificar essa divisão.
O problema por trás da resposta da inteligência artificial
Segundo especialistas, o comportamento observado não significa que a inteligência artificial “tenha opinião”, mas sim que ela reproduz padrões encontrados nos dados usados durante seu treinamento.
Ferramentas como o ChatGPT são alimentadas com enormes quantidades de textos disponíveis na internet. Entre esses conteúdos estão notícias, artigos, fóruns online, blogs e redes sociais.
"É como se ChatGPT partisse de uma visão de mundo que é predominantemente branca, ocidental e rica", explica Paulo Cesar Costa, especialista em inteligência artificial e inteligência de dados da PH3A
Outro ponto abordado é que a inteligência artificial nem sempre diferencia adequadamente as fontes utilizadas. Na prática, dados oficiais podem acabar tendo peso semelhante ao de opiniões publicadas em fóruns ou redes sociais.
"Dados objetivos de uma tabela do IBGE, por exemplo, contam tanto quanto as interações de um fórum aberto do Reddit, por exemplo", explica Paulo.
Quando esses materiais contêm estereótipos ou visões distorcidas, existe o risco de que a IA aprenda e reproduza esses mesmos padrões.
Dados educacionais mostram o contrário
A resposta apresentada pela inteligência artificial também entra em conflito com indicadores educacionais recentes do país.
Dados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2025 mostram que o Nordeste brasilieiro concentrou o maior número de estudantes da rede pública com notas entre 980 e 1.000 na redação.
Entre os resultados, o estado do Maranhão esteve entre os poucos a registrar nota máxima na prova.
O contraste reforça o alerta de que respostas geradas por inteligência artificial não devem ser tratadas como análises científicas ou avaliações confiáveis da realidade.
Foto de capa: Emiliano Vittoriosi/Unsplash
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