Nem materiais caros, nem tecnologia do futuro: a China acaba de usar a biologia de predadores para criar uma armadura inteligente que desvia projéteis

Nova armadura desenvolvida na China usa placas cerâmicas inclinadas para fragmentar munições e dissipar melhor a energia do impacto

Crocodilo
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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Pesquisadores chineses desenvolveram uma nova armadura cerâmica inspirada nas escamas de crocodilos capaz de desviar projéteis e reduzir danos causados por impactos balísticos. O estudo, publicado no Acta Armamentarii, renomada revista científica chinesa, foi conduzido por uma equipe liderada por Zhaoxiu Jiang, da Universidade de Ningbo, na China. 

Mas o que essa armadura tem de tão especial? O que torna o projeto diferente é a lógica por trás da estrutura.  Enquanto grande parte da indústria militar busca blindagens mais complexas e caras, os pesquisadores chineses seguiram um caminho diferente: copiar um mecanismo que já existe na natureza. Inspirada no padrão irregular das escamas de crocodilos, a armadura usa placas cerâmicas inclinadas para alterar a trajetória dos projéteis e dissipar melhor a energia do impacto.

Escamas de crocodilo inspiraram um novo conceito de blindagem militar

Crocodilos possuem uma pele formada por placas ósseas sobrepostas que funcionam como uma proteção natural contra mordidas, choques e perfurações. Observando esse padrão assimétrico, os cientistas desenvolveram uma armadura composta por módulos cerâmicos em formato de diamante, organizados em ângulos de 45 graus sobre uma base metálica, capazes de alterar a trajetória dos projéteis durante o impacto

A escolha da cerâmica não foi atoa. O material possui alta resistência à compressão, é muito resistente e possui baixa densidade, características importantes para blindagens leves. Segundo os cientistas, a proposta era criar uma estrutura mais eficiente sem aumentar significativamente o peso ou o custo de fabricação.

Nos testes realizados em laboratório, a armadura inspirada nos crocodilos apresentou desempenho superior ao das tradicionais placas hexagonais normalmente usadas em blindagens compostas. Durante os disparos, a estrutura conseguiu reduzir a velocidade residual dos projéteis e distribuir melhor a energia do impacto, diminuindo deformações e danos na parte traseira da proteção. Outro detalhe importante foi a capacidade da blindagem de alterar a trajetória dos projéteis em determinados ângulos. Esse efeito aumenta o tempo de contato durante o impacto e acelera a fragmentação da munição, reduzindo o poder de penetração.

Tecnologia ainda está em fase inicial, mas já desperta interesse militar

Apesar dos bons resultados, o sistema ainda está em fase laboratorial e depende de novos testes para ser aplicado. Os próximos passos incluem avaliações com disparos em múltiplos ângulos, impactos sucessivos e integração da estrutura em superfícies maiores. Mesmo assim, o potencial da tecnologia já começa a chamar atenção por causa da simplicidade do projeto. Segundo os cientistas, a estrutura foi pensada desde o início para ser fácil de fabricar e adaptar para produção em massa, o que poderia reduzir custos de produção em comparação com blindagens mais complexas.

Além disso, os pesquisadores acreditam que a tecnologia também pode ser aplicada em veículos blindados, helicópteros militares, estruturas navais e equipamentos aeroespaciais que precisam resistir a impactos sem ganhar peso excessivo.


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