Canadá apresenta solução para fazer os painéis solares flutuantes funcionarem mesmo com neve

Proposta é mais barata que o sistema tradicional

Painéis solares
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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A energia solar está ganhando cada vez mais peso no mundo todo. Todos os dias são instalados mais painéis solares globalmente, mas isso também gera problemas, sendo um deles o espaço que ocupam, já que “tomam” área da agricultura e da natureza.

Uma das soluções para esse conflito é utilizar painéis solares flutuantes que não ocupam espaço em terra firme, já que são instalados em lagos ou represas. Dessa forma, aproveita-se um espaço que não tem utilidade para gerar energia solar.

É uma grande tendência mundial, mas há regiões do planeta em que não é viável usar esses painéis flutuantes: em países frios, a água congela e o gelo acaba destruindo a estrutura dos painéis. Se nevar, eles ficam cobertos e inutilizáveis.

Isso afeta países como Canadá e EUA e, por isso, um grupo de pesquisadores da Universidade Western do Canadá vem trabalhando nessa solução há algum tempo.

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O que eles fizeram foi testar um novo design de painéis solares flutuantes em um lago em Ontário. Em vez de usar grandes balsas de plástico, como as que normalmente sustentam painéis solares flutuantes em climas quentes, eles colocaram os painéis solares — que são finos e flexíveis — sobre uma manta de espuma de polietileno, que é espessa e impermeável.

Essa manta resiste melhor às ondas do que plataformas rígidas convencionais devido à sua flexibilidade e também suporta bem o gelo. Além disso, permite que os painéis fiquem nivelados com a água e não se levantem quando há muito vento. Outro benefício é que, por estarem tão próximos da água, os painéis ficam mais resfriados no verão. E o melhor de tudo: é mais barata do que as estruturas de plástico.

Sob a colchonete, eles instalaram um sistema de tubulações de ar conectadas a uma bomba situada na margem, algo semelhante ao que existe em aquários. O objetivo é gerar um fluxo constante de bolhas para empurrar a água mais quente que está no fundo do lago para a superfície, criando uma barreira térmica para evitar que a água ao redor dos painéis congele.

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Durante o ano em que esse novo sistema esteve instalado em Ontário, ele gerou 7,7 MWh de energia, o que representa 2,7% a mais do que outros painéis flutuantes tradicionais. Isso ocorre em parte porque a proximidade com a água permite que eles se mantenham refrigerados no verão, tornando-os mais eficientes.

Quando houve congelamento, não houve risco de quebra e eles continuaram funcionando. Além disso, há economia de água — neste caso específico, cerca de 927 metros cúbicos. O motivo é que, com esse sistema, a água fica coberta pela colchonete de espuma, o que impede a evaporação causada pelo Sol e pelo vento.

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Por outro lado, o consumo de energia da bomba de bolhas é mínimo: entre 0,02% e 14,5% da própria energia gerada pelos painéis. Isso é essencial para que o sistema seja rentável: estima-se que em áreas isoladas, onde a eletricidade é muito cara, o investimento se paga em 4,2 anos.

Com essa pesquisa, abre-se uma porta para utilizar painéis solares flutuantes em qualquer região do planeta, sem medo de que deixem de produzir energia ou sejam destruídos no inverno.

Imagens | Science Direct e Unsplash

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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