A China acaba de fazer o primeiro voo da maior turbina eólica voadora do mundo — e quer gerar energia limpa acima das nuvens

China quer explorar camadas da atmosfera onde o vento é mais forte, constante e previsível para redefinir os limites da energia eólica

Turbina sobrevoando. Créditos: Consulado da China no Rio de Janeiro
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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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A China realizou, no dia 5 janeiro de 2026, o primeiro teste bem-sucedido de um sistema de energia eólica flutuante em grande altitude, algo inédito no mundo. O equipamento, chamado S2000 Sawes, foi testado na cidade de Yibin e permaneceu em operação por cerca de 30 minutos, alcançando 2.000 metros de altitude. Desenvolvido pela empresa chinesa Sawes Energy Technology, o sistema conseguiu gerar 385 kWh durante o voo experimental, o equivalente ao consumo diário de 12 a 15 casas brasileiras, comprovando que é possível produzir energia de forma estável utilizando ventos muito acima do nível das turbinas tradicionais. 

Entenda como funciona a energia eólica flutuante e por que ela explora ventos nas alturas

Diferentemente das turbinas eólicas convencionais, instaladas em torres fixas em terra ou no mar, o S2000 funciona como um sistema aéreo flutuante, preso ao solo por cabos. Preenchido com hélio, ele se mantém suspenso e utiliza turbinas conectadas à própria estrutura para captar os ventos das camadas mais altas da atmosfera, onde as correntes de ar são mais intensas e estáveis.

O equipamento opera como um gerador móvel, capaz de ajustar a posição conforme a formação dos ventos, algo que é impossível para turbinas fixas. A energia captada é transmitida ao solo por meio dos cabos, conectados a uma estrutura terrestre responsável pela distribuição elétrica. Segundo a empresa responsável, cada unidade do sistema pode atingir potência de até 3 MW, um número significativamente alto para uma tecnologia que ainda está em fase inicial. A tecnologia tenta “resolver” um problema comum à energia eólica tradicional, que é a dependência de ventos irregulares próximos à superfície.

O primeiro teste confirmou o potencial da tecnologia e revela a ambição chinesa de liderar a próxima fase da energia limpa

Durante o voo experimental, o S2000 gerou energia suficiente para alimentar dezenas de residências por um dia inteiro. Em condições ideais, segundo o CEO da Sawes Energy Technology em entrevista para o Global Times, o sistema seria capaz de recarregar até 30 carros elétricos em apenas uma hora, demonstrando o potencial do sistema para aplicações específicas, como regiões remotas, áreas sem rede elétrica estruturada, instalações isoladas e bases militares.

O teste também ganhou repercussão fora do ambiente corporativo. Em 6 de janeiro, o Consulado Geral da China no Rio de Janeiro publicou sobre o sistema em suas redes sociais, afirmando que a tecnologia chinesa de energia eólica em grande altitude estaria avançando da fase experimental para aplicações em escala de engenharia, abrindo novas possibilidades para a geração de energia limpa, inclusive em ambientes urbanos.

Apesar do sucesso do teste, a tecnologia ainda enfrenta alguns desafios. Isso porque operar em grandes altitudes exige monitoramento constante, resistência a ventos extremos e protocolos rigorosos de segurança. Além disso, custos de produção, transporte e manutenção ainda precisam ser reduzidos para que a solução seja escalável.


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