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Os astronautas da Artemis II realizarão experimentos nos quais serão suas próprias cobaias

Na viagem à Lua, os quatro tripulantes da nave farão experimentos relativos a sono e contaminação por vírus

Artemis II
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Realizar experimentos no espaço é complicado. Não há abundância de recursos e muito menos de objetos de estudo. Por isso, às vezes, esses precisam ser os próprios experimentadores. É justamente isso que os tripulantes de Artemis II terão que fazer nos próximos 10 dias, se tudo correr bem. Uma de suas missões será realizar experimentos sobre como as condições do espaço exterior afetam a saúde humana. E eles irão testar isso em si mesmos.

É bem sabido que permanências no espaço, por mais curtas que sejam, podem afetar a saúde humana. Basta ver o exemplo recente do astronauta que perdeu a fala na Estação Espacial Internacional (EEI) por causas ainda desconhecidas. Por esse motivo, boa parte dos experimentos realizados nessas instalações é voltada justamente para isso: analisar como fatores como a microgravidade, o isolamento ou as radiações cósmicas afetam a saúde humana. Foram feitas descobertas interessantes, mas a realidade é que não é a mesma coisa realizar experimentos na órbita terrestre baixa, onde fica a EEI, e na Lua.

Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen terão várias missões durante seus 10 dias de viagem. Para começar, terão que testar o bom funcionamento da nave e sua viabilidade para o pouso na Lua que será realizado em Artemis III. Também farão fotografias da face oculta da Lua e outras medições de interesse científico. E, por fim, servirão como objetos de estudo em uma série de experimentos sobre os efeitos do espaço na saúde humana. Desta vez, sim: mais longe da órbita terrestre baixa.

Sono e vírus

O primeiro estudo que realizarão nesse sentido será o ARCHeR, um conjunto de experimentos voltados a analisar como o espaço afeta fatores como o sono, o estresse, a cognição e o trabalho em equipe. Para monitorar isso, usarão pulseiras de atividade, cujas medições serão somadas às realizadas na Terra tanto antes quanto depois da missão. O conjunto de todas essas informações será muito útil para compreender como o isolamento e o estresse de uma missão como essa afetam a mente dos astronautas.

Na Estação Espacial Internacional, foi comprovado que, no espaço, há mais chances de que alguns vírus, como o da varicela-zóster, saiam do estado de latência. Tratam-se de vírus que o sistema imunológico não consegue eliminar completamente, mas que permanecem latentes no organismo. No caso do varicela-zóster, por exemplo, eles ficam nos nervos, mergulhados em uma espécie de letargia da qual talvez nunca saiam. Se saírem, geralmente é devido a uma queda nas defesas do organismo. Por isso, acredita-se que o espaço possa afetar o sistema imunológico. Para verificar isso, os tripulantes de Artemis II coletarão amostras de saliva úmida e sangue antes e depois da viagem. Também coletarão amostras de saliva seca durante o período da missão.

Astronauta depositando amostra de saliva seca

A saliva seca é obtida depositando a amostra em folhas de papel específicas para isso. É a melhor forma de armazenar amostras de saliva no espaço, onde não é possível refrigerá-las normalmente. Quando todas as amostras forem analisadas, o objetivo será estudar os níveis de biomarcadores imunológicos em busca de possíveis quedas causadas pelo espaço.

Astronautas virtuais para examinar a radiação

Também é importante verificar como a radiação afeta a saúde dos astronautas. Em viagens como esta, eles não sairão da nave, que possui os escudos adequados para impedir que a radiação cause danos. No entanto, em futuros pousos na Lua, especialmente se forem estabelecidas bases lunares, essa temida exposição à radiação pode ocorrer. Para estudar quais seriam os efeitos e projetar sistemas de proteção eficazes, foi criado o AVATAR, um experimento que consiste em fabricar um astronauta virtual para cada membro da tripulação.

Medula óssea artificial

Todos eles forneceram amostras de células de sua medula óssea, que foram cultivadas em um chip do tamanho de um pen-drive. Assim, foi obtida uma pequena medula óssea artificial com as características de cada um deles. Essas, sim, serão expostas à radiação enquanto os astronautas permanecem seguros. Como é uma parte do corpo em que há muitas células em divisão, ela é especialmente suscetível à radiação. Por isso, é possível observar muito melhor quais seriam os efeitos. Além disso, essas amostras podem ser comparadas com as células coletadas dos próprios astronautas quando retornarem da missão.

Todos esses experimentos servirão para proteger muito melhor os astronautas que viajarem à Lua no futuro. Por exemplo, poderão ser buscadas medidas para reduzir seus problemas de sono ou desenvolver trajes que ofereçam melhor proteção contra a radiação.

Além disso, graças ao sistema AVATAR, seria possível enviar os chips antes de os astronautas irem ao espaço. Assim, os efeitos específicos sobre a saúde de cada um seriam analisados e kits médicos adequados poderiam ser preparados individualmente. Tudo isso será possível porque Wiseman, Glover, Koch e Hansen atuarão simultaneamente como cientistas e modelos de estudo.

Imagens | NASA | Emulate | Freepik

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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