O tão aguardado trem de alta velocidade para o País Basco enfrenta seu desafio mais colossal: construir sete viadutos em apenas sete quilômetros

  • O Ministério dos Transportes adjudicou um terceiro trecho da linha Burgos-Vitoria;

  • Serão destinados 241 milhões para concretizar um verdadeiro desafio de engenharia

O tão aguardado trem de alta velocidade para o País Basco enfrenta seu desafio mais colossal: construir sete viadutos em apenas sete quilômetros
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Fabrício Mainenti

Redator

As localidades de Manzanos (Álava) e La Puebla de Arganzón (Burgos) estão separadas por menos de seis quilômetros — um trajeto que pode ser feito em menos de 10 minutos por uma estrada tranquila. No entanto, quando o objetivo é conectá-las com um trem que circula a mais de 200 km/h, essa pequena distância pode se transformar em um abismo.

Esse é o desafio que a Adif AV tem pela frente, sendo a responsável por supervisionar um dos maiores problemas de engenharia enfrentados pela linha de alta velocidade Burgos-Vitoria.

Um novo trecho

O Ministério dos Transportes confirmou a adjudicação da obra para a construção do terceiro trecho da linha de alta velocidade Burgos-Vitoria, por meio da Adif AV. Serão investidos 241,6 milhões de euros (cerca de R$ 1,4 bilhão) nesse trecho, apesar de ele ter apenas sete quilômetros de extensão.

Os trilhos se estenderão entre as localidades de Manzanos (Álava) e La Puebla de Arganzón (Burgos). Ou melhor, poderíamos dizer quase que "sobrevoarão" o terreno, pois o verdadeiro desafio reside em como levar o trem de uma localidade à outra.

Sete viadutos para sete quilômetros

O Ministério dos Transportes destaca, em seu anúncio, que o grande desafio está nos sete viadutos que precisam ser construídos para levar o trem de um ponto a outro. Embora a extensão do trecho seja de apenas sete quilômetros, serão necessárias sete estruturas elevadas para superar todos os obstáculos existentes no caminho.

Ao todo, o trem estará "sobrevoando" o solo por 2,5 quilômetros. Ou seja, 35% do trajeto nesse trecho será feito sobre um desses viadutos. Considerando o porte da infraestrutura, veremos uma sequência de viadutos concentrada em um espaço muito reduzido.

O mais complexo

Dentre todos eles, um se destaca em relação aos demais. Embora a extensão total dos viadutos vá somar 2,5 quilômetros, apenas um deles levará os trilhos às alturas por mais de um quilômetro. É o mais complexo dos sete, pois envolve superar diversos obstáculos.

Essa infraestrutura elevará os trilhos a 50 metros de altura e será sustentada por um arco de concreto de 222 metros. O objetivo é transpor, de uma só vez, o rio Zadorra, a linha ferroviária convencional Madri-Hendaye, a rodovia nacional N-1 e a rodovia A-1, que segue paralelamente.

Mais um passo à frente

Este terceiro trecho adjudicado faz parte das sete seções em que foi dividido o trecho de alta velocidade Burgos-Vitoria, destinado a conectar essa linha ao chamado "Y Basco". No momento, dos sete trechos, o Ministério dos Transportes destaca que quatro já estão em fase de construção, contratação ou licitação, totalizando 54,8 quilômetros.

Desses quatro trechos em andamento, o primeiro a ser construído — o Pancorbo-Ameyugo — também apresenta grande complexidade: 77% de sua extensão de 8,4 quilômetros é composta por três túneis e três viadutos. Além disso, foram iniciados os trâmites para a Variante Ferroviária de Burgos e Valle de las Navas, com 16,7 quilômetros de extensão, projeto que também inclui outros seis viadutos.

Para quando?

Essa é a grande incógnita, pois não há uma data definida para a inauguração da ligação de alta velocidade entre Burgos e Vitoria. Embora o prazo exato não esteja estabelecido, José Antonio Santano, secretário de Estado do Ministério dos Transportes, declarou este ano que espera ver a linha pronta "em quatro ou cinco anos".

As dificuldades técnicas neste trecho são enormes. Além das obras já mencionadas, o projeto sofreu atrasos em alguns pontos. Por exemplo, em Piérnagas (Burgos), foi assinado um contrato para a execução das obras em 34 meses.

No entanto, em 2025, o prazo de execução teve de ser prorrogado por mais 15 meses devido a dificuldades e, neste mesmo ano, o tempo previsto foi novamente estendido em mais seis meses, pois o terreno é muito instável.

Imagem de capa | Ministerio de Transportes

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