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Há quarenta e seis anos, apenas 25 motocicletas terminaram o Rali Dakar; duas delas eram Vespas pertencentes a amigos, e nem sequer terminaram em último lugar

Quando o Rali Dakar atravessou a África e se transformou num verdadeiro massacre de desistências, dois amigos conseguiram chegar à linha de chegada pilotando scooters, terminando à frente de algumas motos oficiais

Há quarenta e seis anos, apenas 25 motocicletas terminaram o Rali Dakar. Duas delas eram Vespas pertencentes a amigos, e nem sequer terminaram em último lugar.
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Fabrício Mainenti

Redator

O Rali Dakar está repleto de histórias extraordinárias, mas poucas como a que ocorreu em sua segunda edição, em 1980. Naquela época, a prova ainda fazia jus à sua reputação de "o rali mais difícil do mundo". Uma odisseia de 10 mil km, dividida em 18 etapas, que começou em Paris e cruzou toda a África, passando pela Mauritânia, Mali, Burkina Faso, Níger e Argélia, antes de finalmente chegar a Dakar.

Dunas, rios, deserto e muita navegação. Não parece o cenário ideal para pilotar uma scooter, mas foi exatamente isso que quatro amigos franceses se propuseram a fazer: correr o Dakar em uma Vespa P200. E não só terminaram o rali, como nem sequer ficaram em último lugar.

Terminando o Rali Dakar Africano em uma Scooter

A Vespa tem a reputação de ser uma scooter simples e confiável, mas esse mantra certamente nunca foi posto à prova como no Rali Paris-Dakar de 1980. Quatro amigos franceses, todos com experiência em enduro e até alguns títulos nacionais, se propuseram um desafio: competir no Rali Dakar com quatro Vespas P200.

Seus nomes eram Yvan Tcherniavsky, Bernard Neimi, Bernard Simonot e Jean-Louis Albera, e eles tinham um plano completo para chegar ao Lago Rosa. Precisaram fazer diversas modificações para tornar as Vespas minimamente adaptáveis ​​ao rali. Instalaram pneus de cravo, um tanque de combustível extra sob o banco e motores de 200cc, além dos obrigatórios tanques de água.

Imágenes | Dakar

Eles também elaboraram um plano abrangente de suporte técnico para cada prova, visando superar quaisquer desafios imprevistos que pudessem encontrar no deserto. Quatro Land Rovers, um para cada motocicleta, seguiam as Vespas pelas estradas, prontos para prestar assistência rápida sempre que necessário. E funcionou.

Eles tiveram que fazer mais paradas do que gostariam, chegando a empurrar as Vespas a pé por muitas dunas, e duas delas ficaram para trás no caminho. Mas Albera e Simonot conseguiram chegar ao Lago Rosa de Dakar. E isso não é pouca coisa, pois das 90 motocicletas que partiram de Paris, apenas 25 cruzaram a linha de chegada.

Imágenes | Dakar

Anos mais tarde, em 2011, dois italianos tentaram repetir o feito. Andrea Nutini e Marcello Dibrogni também conseguiram terminar o Rali Dakar em Vespas, pouco mais de quatro horas atrás do vencedor, Marc Coma. Mas desta vez foi na América do Sul, num Rali Dakar muito mais tranquilo do que aquela aventura selvagem pela África.

Aliás, para quem estiver curioso, Albera e Simonot nem sequer cruzaram a linha de chegada em último lugar, e conseguiram terminar à frente de algumas motos oficiais do Dakar. Uma verdadeira aventura.

Imagens | Dakar


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