Esqueça o ouro e o petróleo: o tesouro inesperado dentro do seu computador que está criando novos milionários na China

Alta nos preços de memória, impulsionada pela IA, elevam preços e alimentam corrida por lucros na China

Chip De Memoria
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Laura Vieira

Redatora
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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Dentro de celulares, computadores e servidores, existe uma peça minúscula que quase sempre passa despercebida. Mas essa pecinha deixou de ser esquecida e agora está bem no centro de uma corrida milionária. Os chips de memória, responsáveis por armazenar praticamente tudo o que consumimos no mundo digital, se transformaram em um tesouro altamente valioso

Na China, o aumento global nos preços desses semicondutores, impulsionada pelo estouro da inteligência artificial, está criando uma corrida especulativa agressiva. Esse movimento de mercado é caracterizado pela compra frenética de um ativo impulsionada pela expectativa de valorização rápida no curto prazo. Devido a valorização desse produto, comerciantes passaram a comprar e estocar chips antes das altas, lucrando com oscilações bizarras de preço.

O que são os chips de memória NAND e por que a inteligência artificial depende deles

Os chips de memória são componentes fundamentais para a eletrônica,  essenciais para o armazenamento e a transferência de dados em dispositivos como smartphones, computadores, servidores e automóveis.  Entre eles, a memória flash NAND é uma das mais importantes. Trata-se de um tipo de armazenamento que mantém dados mesmo sem energia. É ela que guarda fotos, vídeos, aplicativos e arquivos em smartphones, SSDs e computadores.

Mas a importância desses chips é muito superior do que apenas guardar suas fotos e arquivos pessoais. Com o avanço da inteligência artificial, especialmente de modelos que processam volumes gigantescos de dados, como Big Data, a demanda por armazenamento escalonou rapidamente. Isso porque os sistemas de IA precisam guardar e acessar rapidamente quantidades massivas de informação, tanto durante o treinamento quanto na execução de tarefas.

É aí que entra a NAND: ela permite armazenar esses dados de forma eficiente e em larga escala. Em data centers, por exemplo, unidades de armazenamento baseadas nesses chips são fundamentais para rodar modelos complexos. Já em dispositivos como celulares e carros, eles possibilitam que a IA funcione localmente, sem precisar totalmente da nuvem.

Com a popularização de modelos avançados e a busca por infraestrutura de IA, fabricantes passaram a priorizar a produção voltada para esse setor. Como consequência, os chips acabaram ficando menos disponíveis para outros usos, enquanto houve um aumento e uma pressão crescente sobre os preços.

Comerciantes chineses lucram milhões com a escassez de memória

Com a oferta limitada e a demanda em alta, o mercado de chips de memória entrou em um território incomum e altamente volátil. Na China, especialmente em polos tecnológicos como Shenzhen, comerciantes passaram a atuar quase como investidores: compram grandes volumes de chips antecipando aumentos de preço e vendem quando o valor dispara.

Esse movimento começou em 2025, quando sinais de escassez começaram a aparecer. Desde então, os preços passaram a oscilar diariamente, em alguns casos com reajustes quase imediatos. Os ganhos acompanham essa velocidade. Alguns comerciantes afirmam ter multiplicado seus lucros em poucos meses, com saldo de milhões. Não ironicamente, nas redes sociais chinesas, chips de memória passaram a ser comparados ao ouro.

Essa mudança no mercado também está transformando toda a cadeia de tecnologia. Fabricantes de smartphones já começaram a repassar os custos, aumentando o preço de seus produtos top de linha.  Ao mesmo tempo, o mercado ficou mais restritivo. Pequenas empresas, sem capital para estocar grandes volumes, estão sendo excluídas, enquanto grandes compradores disputam a produção global, ainda concentrada em poucas empresas.


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