Jeff Bezos coloca a Blue Origin para competir com a Starlink. Sua arma: muito mais velocidade

Nasce a TeraWave, o serviço de internet via satélite da Blue Origin que promete velocidades de até seis terabits por segundo

Blue Origin / Imagem: Jeff Bezos
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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A Blue Origin, empresa espacial de Jeff Bezos, anunciou nesta quarta-feira a implementação de 5.408 satélites para criar a TeraWave, uma rede de comunicações por satélite que competirá diretamente com a Starlink, da SpaceX. Mas há uma diferença crucial: ela não foi pensada para civis.

A TeraWave promete velocidades de até 6 terabits por segundo, tanto de upload quanto de download, em qualquer ponto do planeta, segundo a empresa. A implementação começará no fim de 2027, com uma constelação que combinará satélites em órbita terrestre baixa e média conectados por enlaces ópticos. A rede foi projetada para atender a um máximo de cerca de 100.000 clientes, e não milhões como seus concorrentes.

Enquanto a Starlink de Elon Musk, com mais de 9.000 satélites em órbita e cerca de 9 milhões de clientes, foca em oferecer internet a consumidores individuais, empresas e governos, a TeraWave aposta em uma abordagem exclusivamente empresarial.

A Blue Origin deixou claro que sua rede está “projetada especificamente para clientes empresariais”, voltando-se a centros de dados, governos e empresas que precisam de conectividade confiável para operações críticas. Dave Limp, CEO da Blue Origin e ex-chefe de dispositivos da Amazon, confirmou no comunicado que se trata de um serviço de “nível empresarial”.

Um mercado cada vez mais saturado

Bezos não compete apenas com Musk, mas também com a própria criação: a Amazon. A gigante do comércio eletrônico está instalando a Leo (antes, Project Kuiper), uma rede de 3.236 satélites dos quais 180 já estão em órbita.

Diferentemente da TeraWave, a Leo se dirige tanto a empresas quanto a consumidores e governos, competindo de forma mais direta com a Starlink. Além disso, várias empresas chinesas estão desenvolvendo rapidamente constelações semelhantes com foguetes reutilizáveis de baixo custo, seguindo a estratégia que a SpaceX estabeleceu com seu Falcon 9.

Esses 6 terabits por segundo que a TeraWave promete são extremos até mesmo para os padrões empresariais atuais, muito acima do que oferecem serviços comerciais rivais. Portanto, sim, a Blue Origin está claramente mirando atender à demanda de centros de dados para IA. Seu anúncio coincide com uma corrida na indústria espacial para construir centros de dados no espaço que possam suprir a crescente demanda por processamento de IA em larga escala.

Musk já expressou o desejo de construir esses centros espaciais como complemento à Starlink, enquanto Bezos já previu que eles se tornarão comuns em órbita nos próximos 10 a 20 anos.

O desafio logístico

Para colocar 5.408 satélites em órbita, é preciso uma máquina de lançamento confiável e econômica. É aí que entra o foguete reutilizável New Glenn, da Blue Origin, que, embora já tenha realizado dois lançamentos, ainda não alcançou a cadência de voos necessária. No último mês de novembro, a empresa atingiu um marco importante ao pousar com sucesso o propulsor do New Glenn após o lançamento de duas espaçonaves da NASA, tornando-se a segunda empresa, depois da SpaceX, a conquistar esse feito.

O fundador da Amazon vem há anos pregando sobre o potencial da Blue Origin. Em 2024, durante uma entrevista no DealBook Summit do The New York Times, Bezos afirmou acreditar que a Blue Origin “será o melhor negócio em que já me envolvi, mas vai levar tempo”. Fundada em 2000, a empresa ficou conhecida principalmente por seus voos turísticos na borda do espaço. No ano passado, inclusive, levou ao espaço suborbital tanto a atual esposa de Bezos, Lauren Sánchez, quanto a cantora Katy Perry.

Imagem | Jeff Bezos

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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