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Inspirando-se na Ucrânia, Taiwan começa a ensinar civis a pilotar drones

País se prepara para possível invasão da China

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Um vídeo da unidade ucraniana Signum mostrou em 2022 um dos primeiros ataques bem-sucedidos com drones FPV improvisados contra posições russas, uma cena que muitos analistas consideram o ponto de partida da revolução tática que hoje é estudada por exércitos de metade do mundo.

Foi uma estratégia que começou como uma solução caseira de voluntários e entusiastas. Quatro anos depois, outros países, como Taiwan, estão copiando a ideia e ensinando seus cidadãos a pilotar drones como parte de sua estratégia de defesa.

A lição ucraniana

A guerra da Ucrânia mudou muitas coisas, mas uma das mais profundas foi a forma como o drone deixou de ser uma ferramenta auxiliar para se tornar uma peça central do combate moderno.

Milhares de missões diárias, ataques de precisão baratos e uma capacidade constante de vigiar, corrigir fogo e desgastar o inimigo transformaram a lógica do campo de batalha. Em Taiwan, essa realidade é observada com atenção porque a conclusão é evidente: se a Ucrânia conseguiu resistir durante anos a uma potência superior graças, em parte, aos drones, a ilha acredita que precisa aprender essa lição antes que seja tarde demais.

Por isso, Taipei colocou em prática seu primeiro programa civil de treinamento em pilotagem de drones, uma iniciativa impulsionada pela Kuma Academy que busca ensinar cidadãos comuns algo que, poucos anos atrás, parecia reservado a militares ou entusiastas avançados.

Segundo o site The Guardian, jovens, aposentados e trabalhadores praticam voos básicos, manobras de controle e navegação visual. O importante não é apenas aprender a voar, mas entender que esse conhecimento pode ter um valor estratégico real. Um dos participantes resume isso com uma frase que encapsula toda a filosofia do programa: “É como me dar uma nova habilidade, algo que eu poderia usar algum dia, se fosse necessário”.

Em Taiwan, o drone começa a ser visto como uma espécie de arma cívica, não necessariamente ofensiva, mas útil para sobreviver e contribuir em uma crise. A ideia não é armar a população, mas fazê-la passar de uma defesa passiva (se esconder e esperar) para uma defesa ativa baseada em observar, detectar e compartilhar informações.

Em um cenário de invasão chinesa, esses pequenos aparelhos poderiam servir para monitorar movimentos inimigos, localizar feridos, coordenar evacuações e manter enlaces visuais em áreas onde as comunicações tradicionais falhem. A lógica é simples: nem todos podem empunhar um fuzil, mas quase qualquer pessoa pode aprender a pilotar um drone.

O motivo: o medo da China

Não há dúvida de que o pano de fundo é a crescente pressão da China sobre a ilha. Taiwan vive sob a ameaça constante de uma possível operação militar chinesa e cada vez mais cidadãos parecem assumir que a preparação individual faz parte da defesa nacional.

A expansão de grupos de defesa civil, os cursos de primeiros socorros e agora a alfabetização em drones fazem parte dessa transformação social. Sob essa perspectiva, a preparação já não é apenas responsabilidade do exército: cada cidadão passa a ser uma peça potencial dentro de uma rede de resistência mais ampla.

O detalhe técnico desses cursos diz muito sobre como Taiwan entende a guerra futura: os drones são pequenos, leves, de fabricação nacional e sem GPS ou piloto automático. O motivo é bastante claro. Em um conflito moderno, a guerra eletrônica pode inutilizar sistemas automáticos em segundos, então o piloto precisa aprender a controlar a máquina apenas com a visão e os reflexos.

Isso é muito semelhante ao que ocorre na Ucrânia, onde o combate eletromagnético obriga a improvisar e se adaptar constantemente. Taiwan não quer formar usuários de tecnologia confortável; quer formar operadores capazes de continuar atuando quando a tecnologia falhar.

Esse esforço também se encaixa em outro objetivo: reduzir a dependência tecnológica da China e construir uma cadeia de suprimentos própria para drones. Taiwan fabrica parte do seu armamento, mas ainda depende da venda de armas dos EUA para seus sistemas mais pesados. Além disso, a incerteza política em Washington e as oscilações na relação com Pequim reforçam a sensação de vulnerabilidade.

Por tudo isso, para muitos taiwaneses, aprender a pilotar um drone já não é um passatempo nem uma curiosidade técnica. É mais uma forma tangível de se preparar para um futuro incerto, com a convicção de que, se chegar o pior cenário, cada habilidade adquirida hoje pode fazer diferença no futuro.

Imagem: Wikimedia

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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