Há séculos lemos a Bíblia como guia moral, mas cada vez mais, pessoas utilizam para outro fim: encontrar fundos de investimento

Ativos geridos por fundos de investimento com princípios cristãos duplicaram em apenas cinco anos

Imagens | Virgil Cayasa (Unsplash)
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PH Mota

Redator
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PH Mota

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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

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Quando você aplica suas economias (sejam elas grandes ou pequenas) em fundos de investimento, o que você deseja são bons retornos. Você quer que seu dinheiro renda mais. A questão é: ao buscar esse objetivo, é possível aplicar critérios além dos estritamente econômicos? A busca por retornos é compatível com uma abordagem moral? Algumas pessoas acreditam que a resposta é "sim" e que o setor financeiro deve crescer com foco na ética ambiental e social, o que significa, por exemplo, não apoiar empresas poluentes.

Nesse sentido, cada vez mais pessoas optam por investir seu dinheiro em outro tipo de fundo de investimento: aqueles que combinam a busca pelo lucro com os princípios morais da Igreja Católica.

Investimentos e ética?

Embora os fundos de investimento e os fundos negociados em bolsa (ETFs) sejam ferramentas criadas para gerar dinheiro, há algum tempo, parte do setor financeiro vem tentando gerenciá-los com uma abordagem ética.

A ideia é muito simples: oferecer retornos, mas com a garantia de que seus analistas estarão tão atentos ao mercado de ações quanto aos critérios ESG (Ambiental, Social e de Governança). Em outras palavras, a ideia é investir em empresas que, em teoria, aplicam boas práticas e são ambientalmente responsáveis.

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E quanto à religião?

Entre esses fundos "éticos", nem todos se concentram no respeito à natureza ou aos direitos humanos. Alguns enfatizam o aspecto espiritual. A ideia deles é que o dinheiro gera retornos graças a empresas que aderem aos preceitos de uma religião.

Dito assim, pode parecer muito abstrato, mas na prática é bastante simples: os investidores evitam empresas que lucram com pornografia, contraceptivos, jogos de azar, drogas, exploração infantil, armas, pesquisa com células-tronco... Um exemplo claro são os "ETFs islâmicos", fundos que operam com a lei islâmica (Sharia) como princípio orientador, investindo em empresas que cumprem as leis do Alcorão.

Isso acontece com o cristianismo?

Sim, acontece. Há poucos meses, em fevereiro, o Banco do Vaticano lançou dois índices de mercado de ações com o objetivo de facilitar o investimento para aqueles que desejam seguir uma mentalidade católica. Mais precisamente, o Instituto para as Obras de Religião (IOR) apresentou o Morningstar IOE Eurozone Catholic Principles e o Morningstar IOR US Catholic Principles, uma espécie de versão vaticana do S&P 500 e do Euro Stoxx 50.

"Ambos os índices de referência são elaborados seguindo as melhores práticas de mercado e de acordo com os critérios éticos católicos. Eles foram concebidos para servir como referência para investimentos católicos em todo o mundo", explica o IOR. O índice europeu inclui, por exemplo, bancos como Santander e BBVA, a empresa de tecnologia ASML e a marca de luxo Hermès, enquanto outras multinacionais com subsidiárias de defesa ou presença no mercado de bebidas alcoólicas são excluídas. No índice americano, empresas como Meta e Amazon estão incluídas.

Mas... esses fundos realmente movimentam dinheiro?

Sabemos que sim graças a uma análise recente da Cinco Días, que confirma que os fundos cristãos estão fortalecendo sua presença global. E de forma bastante evidente.

O último relatório da consultoria Brightlight mostra que, apenas nos últimos cinco anos, esses fundos dobraram seus ativos, passando de pouco mais de US$ 58,5 bilhões no verão de 2020 para mais de US$ 115,7 bilhões no final de setembro de 2025. Em um passado mais distante, os fundos baseados em princípios cristãos detinham apenas US$ 16,5 bilhões em 2009 e US$ 1,5 bilhão em 1990.

Em que eles investem?

O aumento mais notável foi em ativos de renda variável, seguido por ativos de renda fixa. No total, a Brightlight identificou 166 fundos cristãos, o dobro do número contabilizado em 2010.

Esse aumento significativo não pode ser explicado apenas pelo lançamento dos dois índices IOR em fevereiro. Bem antes disso, em 2022, a Igreja publicou o Mensuram Bonam, um documento com "um conjunto de princípios e critérios" voltado para o setor financeiro. "Os investidores estão cada vez mais buscando índices de referência que reflitam critérios específicos baseados em valores ou políticas", argumenta a Morningstar.

E como estão se saindo?

Nada mal. Embora os fundos de investimento com foco em ESG (Ambiental, Social e de Governança) geralmente não tenham tido seu melhor ano (no ano passado, registraram saídas de capital de mais de US$ 80 bilhões), o índice S&P 500 Catholic Values ​​superou o S&P 500 nos últimos anos. Isso não é nenhuma surpresa, considerando a lista de empresas em que se concentra.

O crescimento dos fundos com foco cristão pode ser explicado, além do desempenho do mercado de ações, por suas próprias características. Alguns, por exemplo, doam parte de suas comissões para organizações ligadas à Igreja.

Imagens | Virgil Cayasa (Unsplash)

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