Congelar pão faz ele perder seu valor nutricional?

Não, mas também não tem efeitos positivos na saúde como algumas pessoas pensam

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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A ideia de comprar pão todos os dias é cada vez mais minoritária e a grande pergunta que milhares de pessoas fazem é: “Congelar pão é mesmo uma boa ideia?” E, para surpresa de muitos, é sim uma boa ideia. Só é preciso fazer isso corretamente.

Como explica a nutricionista-dietista Nuria Romero, “podemos ficar tranquilos porque, ao congelar o pão, ele não perde propriedades nutricionais”. Embora seja verdade que “às vezes, a textura ou o sabor podem ser afetados”.

O melhor pão para congelar são “aqueles menos tostados, já que são os que mantêm melhor o equilíbrio de umidade entre a casca e o miolo”. Pelo mesmo motivo, também é uma boa ideia congelar pães maiores ou aqueles feitos com farinha integral ou de centeio.

Como se congela o pão?

Embora possa parecer óbvio, congelar pão é muito, muito simples. São três passos fáceis de seguir. O problema é que a maioria dos consumidores não costuma aplicá-los de forma sistemática.

1) O primeiro passo é escolher um pão fresco e em temperatura ambiente. Se o pão já estiver começando a ficar duro ou ainda não tiver esfriado completamente, o resultado final será bem pior.

2) Depois, é altamente recomendável cortá-lo em porções que facilitem o descongelamento posterior. Nesse sentido, muitas pessoas optam por cortá-lo em fatias.

3) Em seguida, embalá-lo de forma hermética. Assim, garantimos que a umidade do congelador não entre em contato com as fatias.

Dessa forma, o pão pode durar até seis meses sem grandes problemas.

E como descongelar?

Esse costuma ser o outro grande problema: se não for descongelado corretamente, o pão pode perder a frescura. Por isso, a forma mais eficaz de fazer isso é à temperatura ambiente, colocando-o sobre uma grade para que a umidade não se acumule — assim, o descongelamento tem um ótimo resultado.

Se você estiver sem tempo hábil, pode descongelá-lo no forno a cerca de 160 graus, envolto em papel-alumínio por 10 a 15 minutos ou diretamente na torradeira, se estiver em fatias.

Segundo a doutora Karen Alarcón Fuentes, gastroenterologista e endoscopista, ao descongelar o pão, “grande parte do carboidrato vai se transformar em fibra prebiótica”. Algo que “não só beneficia a microbiota, como também vai regular a glicose no sangue”.

Mas isso é verdade? Não está claro. Segundo a jornalista especializada em gastronomia Liliana Fuchs, é algo que “tem certa base científica, mas que, na prática, não serve para nada”. A confusão está no amido resistente, “um tipo de carboidrato difícil de ser processado pelo nosso organismo, não é totalmente digerido e tem um efeito semelhante ao da fibra”.

O problema é que, no caso do pão, só se conseguiu demonstrar que congelá-lo (e depois tostá-lo) reduz o índice glicêmico, embora tenha sido um estudo bastante pequeno. O processo não afeta o amido resistente. E, de fato, “o efeito na saúde de uma pessoa normal será praticamente nulo; importa muito mais o total da dieta e os hábitos diários”.

Imagem | Charles Chen (Unsplash), Coffee Danube Still Life Photography (Flickr)

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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