Astrônomos detectaram um poderoso sinal cósmico vindo de um objeto localizado a cerca de 8 bilhões de anos-luz da Terra. O fenômeno, observado com o radiotelescópio MeerKAT, na África do Sul, pode ajudar os cientistas a compreender melhor como galáxias se formam, evoluem e colidem ao longo do universo.
O sinal foi captado por uma equipe internacional de pesquisadores da Universidade de Pretória. Segundo os cientistas, trata-se de um dos eventos mais energéticos desse tipo já registrados.
RECORD-BREAKING DETECTION: With the help of the MeerKAT telescope, a UP-led team of South African astronomers has detected the most distant hydroxyl megamaser ever, a natural radio “laser” produced by merging galaxies more than 8 billion light-years away. Read more:… pic.twitter.com/DoFJcA1lQM
— University of Pretoria (@UPTuks) February 18, 2026
Um “laser natural” criado por galáxias em colisão
A radiação detectada vem de um sistema de galáxias em fusão chamado HATLAS J142935.3–002836. Quando galáxias colidem, enormes nuvens de gás são comprimidas, o que provoca intensa atividade molecular. Esse processo pode gerar emissões amplificadas de micro-ondas.
Os especialistas classificam o fenômeno como um megamaser de hidroxila, uma espécie de “laser natural” no espectro de rádio. Esses masers cósmicos são extremamente brilhantes e podem ser milhões ou até bilhões de vezes mais luminosos do que fenômenos semelhantes observados em regiões menores do espaço.
De acordo com os pesquisadores, a intensidade do sinal detectado é tão grande que ele pode até pertencer a uma categoria ainda mais rara chamada gigamaser, um tipo ainda mais poderoso de emissão cósmica.
Lente gravitacional ajudou a detectar o sinal
A observação só foi possível graças a um fenômeno previsto por Albert Einstein conhecido como lente gravitacional. Nesse processo, a gravidade de uma galáxia situada entre a Terra e o objeto distante curva o espaço-tempo e funciona como uma espécie de lente cósmica, amplificando a luz ou as ondas emitidas.
Isso permitiu que o sinal extremamente distante chegasse à Terra mais forte e detectável pelos radiotelescópios.
Os pesquisadores acreditam que essa técnica poderá revelar centenas ou até milhares de outros sistemas galácticos em colisão, permitindo estudar melhor como essas fusões moldaram o universo ao longo de bilhões de anos.
Essas colisões são comuns na história cósmica. Inclusive, a Via Láctea deve colidir com a galáxia de Andrômeda em cerca de 5 bilhões de anos. Apesar do impacto parecer dramático, os cientistas afirmam que estrelas e sistemas planetários raramente se chocam diretamente, embora a aparência das galáxias mude completamente após a fusão.
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