O problema não é encontrar vírus, é que eles são inéditos: descoberta em orcas do Caribe surpreende a ciência"

Tudo indica que ele infectou até mesmo ancestrais desses animais

Orcas
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Vika Rosa

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.


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Um estudo internacional liderado pela Universidade Estadual do Arizona (ASU) e divulgado em janeiro de 2026 revelou uma camada oculta da vida marinha. Através de sequenciamento genético avançado, pesquisadores identificaram dois vírus nunca antes vistos em baleias-piloto e orcas na região do Caribe.

Batizados de circovírus shofin e circovírus orcin, esses patógenos ampliam a lista de vírus conhecidos que infectam vertebrados marinhos e sugerem que a relação entre esses gigantes do mar e o mundo viral é muito mais antiga do que se imaginava.

A anatomia de uma descoberta viral

Os pesquisadores analisaram amostras de tecido arquivadas de animais mortos utilizando tecnologia de alto rendimento. O que encontraram foram sete genomas completos de circovírus, um grupo de vírus conhecidos por serem pequenos e possuírem genomas circulares.

A descoberta chamou a atenção por características físicas únicas: a camada externa desses vírus possui "alças" na superfície (especialmente a alça EF) que são quase duas vezes maiores que as encontradas em circovírus terrestres comuns.

Vale ressaltar que análise genética mostrou que os vírus encontrados nesses cetáceos formam um grupo familiar próprio, indicando uma linhagem evolutiva separada dos vírus que infectam animais terrestres.

Vírus podem ter afetado ancestrais desses animais

A composição genética desses vírus sugere que eles podem ter infectado os ancestrais das baleias e orcas modernas desde o início de sua história evolutiva. No entanto, o efeito real desses "hóspedes" na saúde dos animais ainda é um mistério.

Embora não se saiba se eles causam doenças diretamente, os cientistas levantam algumas hipóteses baseadas em vírus semelhantes.

Estudos com outros circovírus marinhos sugerem uma possível ligação com o enfraquecimento do sistema imunológico, padrão que se alinha com o que ocorre em mamíferos terrestres e aves.

Ainda não se sabe como esses vírus se espalham entre as populações de baleias no oceano.

A descoberta abre um novo campo de perguntas para a biologia marinha. O que esses vírus significam para a conservação dessas espécies? Eles são uma ameaça silenciosa ou parte natural do ecossistema marinho? O que é certo é que o oceano ainda guarda segredos microscópicos que a ciência está apenas começando a desvendar.

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