Pesquisadores descobriram na floresta tropical do norte da Austrália uma nova espécie de aranha com uma estratégia de caça que parece saída de um filme de ficção científica.
Apelidada de aranha-balista, ela constrói uma armadilha acionada por mola capaz de lançar sua presa para o alto em uma fração de segundo. O mais curioso é que todo esse mecanismo foi desenvolvido para capturar apenas uma única espécie de formiga.
Segundo os cientistas, trata-se de um dos exemplos mais extremos de especialização já observados entre aranhas.
Uma armadilha construída para uma única presa
A nova espécie pertence ao gênero Propostira e foi encontrada em florestas próximas à cidade de Cooktown, no estado australiano de Queensland.
Seu alvo é exclusivamente a formiga-verde-arborícola (Oecophylla smaragdina), conhecida por seu comportamento extremamente agressivo e territorial.
Isso chama atenção porque poucas aranhas se alimentam de formigas. Além de possuírem mandíbulas poderosas, muitas espécies utilizam substâncias químicas para alertar outras integrantes da colônia, podendo reunir centenas ou até milhares de indivíduos para atacar um possível predador.
Como funciona a armadilha
Durante o dia, a aranha permanece escondida na parte inferior das folhas, observando as trilhas percorridas pelas formigas. Quando anoitece, ela inicia um trabalho que pode levar até quatro horas.
- Primeiro, desce cerca de meio metro até encontrar um ponto de apoio.
- Em seguida, constrói uma estrutura vertical formada por entre 15 e 60 fios de seda extremamente tensionados, organizados em formato de cone.
- Na etapa final, envolve esse cone com um tipo diferente de seda e retorna rapidamente ao seu esconderijo.
Poucos segundos depois, a armadilha entra em ação.
A própria formiga ativa o mecanismo
Nova espécie de aranha | Créditos: pesquisadores responsáveis (link no primeiro parágrafo do artigo)
Os pesquisadores acreditam que a aranha deposita um feromônio na estrutura para atrair especificamente as formigas-verdes.
Ao encontrar o cone, a formiga reage de maneira agressiva e o morde, rompendo sua fixação. É exatamente isso que dispara a armadilha. A energia acumulada na seda é liberada instantaneamente, lançando a formiga a mais de 30 centímetros de altura diretamente para o centro da teia da aranha.
Somente quando a presa está completamente presa nos fios é que a aranha se aproxima para envolvê-la com seda e iniciar a alimentação.
Segundo os autores, é o único caso conhecido em que uma teia é construída para capturar apenas uma espécie específica e cujo mecanismo é acionado pela própria presa, e não pelo predador.
Uma verdadeira catapulta biológica
Além do comportamento incomum, os pesquisadores analisaram a seda produzida pela aranha utilizando microscopia eletrônica e outros testes biomecânicos.
Os resultados mostraram que a estrutura funciona como uma verdadeira mola biológica, armazenando energia elástica antes de liberá-la em uma explosão extremamente rápida.
A potência instantânea gerada supera a de qualquer outra catapulta baseada em seda já estudada na natureza.
Isso é importante porque as formigas-verdes possuem estruturas adesivas nas patas, capazes de mantê-las firmemente presas às superfícies. Para arrancá-las do local, a armadilha precisa produzir uma força muito maior do que o peso do próprio inseto.
Um exemplo extremo de evolução
Os pesquisadores acreditam que esse mecanismo evoluiu justamente porque atacar diretamente uma formiga-verde seria extremamente perigoso.
Ao capturar apenas um indivíduo por vez e lançá-lo para longe das trilhas da colônia, a aranha reduz drasticamente o risco de sofrer um contra-ataque de dezenas ou centenas de formigas.
Por isso, descrevem essa estratégia como "a especialização definitiva": um predador que desenvolveu uma armadilha altamente sofisticada para capturar uma única espécie de presa utilizando um mecanismo que, até agora, não havia sido observado em nenhuma outra aranha conhecida.
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