A descoberta 'incrível' que explica por que a mente destes minúsculos roedores simula a fala humana perfeitamente

Um estudo publicado na revista Nature descobriu que uma pequena alteração nas conexões cerebrais dos ratos-cantores-de-Alston foi suficiente para criar uma forma de comunicação muito parecida com uma conversa

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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Não é nenhuma novidade que os animais são inteligentes. Talvez não tanto quanto os humanos, mas muitos possuem habilidades que deixam qualquer um impressionado. É o caso dos ratos-cantores-de-Alston, pequenos roedores das florestas da América Central que desenvolveram uma forma de comunicação bem diferente do que imaginamos de um roedor. Além de emitirem vocalizações complexas, eles conseguem "conversar" sem interromper uns aos outros, um comportamento que lembra o diálogo entre duas pessoas. Veja o vídeo:

Um estudo publicado na revista Nature sugere que essa habilidade pode ter surgido devido a uma mudança simples nas conexões do cérebro, uma descoberta que também pode ajudar cientistas a entender melhor a origem da linguagem humana. 

Pesquisa revela como mudanças sutis no cérebro podem transformar o comportamento animal

Visualmente, os ratos-cantores-de-Alstonsão muito parecidos com ratos comuns. A grande diferença entre eles está na habilidade de realizar trocas vocais elaboradas, enquanto o outro não. Esse contraste levou pesquisadores do Cold Spring Harbor Laboratory, nos Estados Unidos, a investigar o que acontecia dentro do cérebro desses animais. Para isso, a equipe utilizou uma técnica chamada MAPseq, que consegue rastrear milhares de neurônios simultaneamente e mapear as conexões que eles estabelecem com outras regiões cerebrais. 

O resultado revelou que os ratos-cantores apresentavam aproximadamente três vezes mais neurônios conectando o córtex motor a regiões do cérebro envolvidas na produção de vocalizações. Isso sugere que a evolução não precisou criar um novo circuito cerebral para que surgisse esse comportamento, mas reforçar caminhos neurais que já existiam. 

O que esses ratos revelam sobre a origem da linguagem humana

Quando os cientistas começaram a investigar os ratos-cantores-de-Alston, a expectativa era encontrar alguma estrutura cerebral exclusiva responsável por sua comunicação. A questão é que essa região simplesmente não existia. Em vez disso, os pesquisadores descobriram que a evolução aproveitou circuitos neurais que já estavam presentes no cérebro da espécie e apenas os tornou mais eficientes. Segundo a equipe, o comportamento dos ratos-cantores indica que pequenas alterações na conectividade neural podem produzir mudanças significativas na forma como os animais interagem com o ambiente e entre si.

Essa conclusão se torna ainda mais interessante quando pensamos na linguagem humana. Embora os seres humanos possuam sistemas de comunicação muito mais sofisticados, os resultados sugerem que sua origem pode não estar ligada ao surgimento de estruturas cerebrais completamente novas. Em vez disso, a linguagem pode ter evoluído a partir de modificações graduais em circuitos neurais que já existiam, refinados ao longo de milhões de anos até dar origem à complexa capacidade de comunicação que conhecemos hoje.

Mais do que explicar o comportamento dos ratos-cantores, o estudo mostra como pequenas mudanças nas conexões cerebrais podem gerar habilidades complexas. Os pesquisadores acreditam que a mesma abordagem poderá ser utilizada para investigar outras formas de comunicação animal e, quem sabe, ajudar a esclarecer como a linguagem surgiu e evoluiu ao longo de milhões de anos. 


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