De tempos em tempos, um grupo de bilionários se reúne para discutir temas que consideram importantes. Desta vez, foi no Fórum Econômico Mundial em Davos, onde o CEO da Microsoft, Satya Nadella, fez um alerta contundente sobre o uso da inteligência artificial e seu consumo excessivo de energia. Para o executivo, essa tecnologia só faz sentido se gerar um impacto real e positivo na sociedade; caso contrário, perderia a "legitimidade social" para a alocação de recursos escassos, como energia, ao seu desenvolvimento.
Energia
Não é surpresa que os data centers de IA consumam quantidades enormes de eletricidade e água. Isso já acontecia mesmo antes de serem dedicados exclusivamente a operações de IA, mas agora esse consumo se multiplicou exponencialmente.
Há algum tempo, Sam Altman, CEO da OpenAI, forneceu estimativas sobre o consumo de energia do ChatGPT, afirmando que ele utilizava aproximadamente 0,34 watts-hora por resposta gerada. Em uma escala maior, o consumo combinado de eletricidade da Microsoft e do Google em 2023 ultrapassou o de mais de 100 países, de acordo com uma análise de Michael Thomas, fundador da Cleanview.
Excessivo
A demanda não se limita à energia; um volume excessivo de produção de componentes críticos está sendo alocado ao desenvolvimento de projetos relacionados à IA, como ocorre com a memória RAM em todo o mundo.
Alerta de Nadella
Durante seu discurso em Davos, o CEO da Microsoft afirmou que "rapidamente perderemos até mesmo a permissão social para usar algo como energia, um recurso escasso, para gerar esses tokens, se esses tokens não melhorarem os resultados em saúde, educação, eficiência do setor público ou competitividade do setor privado". O CEO da Microsoft afirmou que o objetivo final deve ser "usar a IA para mudar resultados tangíveis para pessoas, comunidades, países e indústrias". Caso contrário, "nada disso faz sentido".
Tokens como a nova moeda global
Nadella mencionou "tokens" na conversa como a nova moeda entre as grandes empresas de tecnologia. Nesse contexto, tokens são as unidades básicas de poder de processamento que os usuários de modelos de IA compram para executar tarefas. Segundo o CEO, "o crescimento do PIB em qualquer lugar estará diretamente correlacionado" com o custo da energia usada em IA. Dessa forma, Nadella sugere que, se um país conseguir produzir tokens a um custo menor, terá uma vantagem competitiva.
O exemplo da área médica
Entre as aplicações específicas que Nadella considera valiosas está o uso de IA no setor da saúde. Ele mencionou o caso de médicos que podem dedicar mais tempo aos seus pacientes enquanto a IA cuida da transcrição de consultas, da inserção de dados em sistemas de prontuários médicos e da atribuição correta dos códigos de faturamento.
O risco de uma bolha
Nadella também abordou os crescentes alertas sobre uma potencial bolha da IA. Para ele, só será uma bolha se tudo continuar limitado a parcerias entre empresas de tecnologia e investimentos em infraestrutura. "Um sinal revelador de que se trata de uma bolha seria se só falássemos de empresas de tecnologia", observou ele em sua conversa com Larry Fink, CEO da BlackRock.
O executivo estava confiante de que a IA "irá mudar a curva da produtividade" e trazer crescimento econômico global, não apenas impulsionado por investimentos de capital.
A adoção em massa é necessária
O CEO da Microsoft também insiste que as empresas devem começar a usar IA em larga escala, descrevendo-a como um "amplificador cognitivo" que concede "acesso a mentes infinitas". Ele defende que os trabalhadores desenvolvam habilidades em IA, de forma semelhante a "como dominam o Excel para melhorar sua empregabilidade". A Microsoft planeja investir US$ 80 bilhões (cerca de R$ 430,2 bilhões) na construção de data centers de IA, com 50% desse investimento fora dos Estados Unidos.
Imagem de capa | İsmail Enes Ayhan e World Economic Forum
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