Se nos perguntassem hoje qual país lidera a corrida pela inteligência artificial, a resposta mais imediata provavelmente ainda seria Estados Unidos. Por décadas, o país ditou o ritmo da inovação tecnológica e boa parte das ferramentas digitais que usamos diariamente nascem de suas grandes empresas. No entanto, essa liderança já não é tão incontestável quanto antes. O cenário começa a mudar e há um ator que está reduzindo a diferença a uma velocidade difícil de ignorar: a China.
A questão não é mais se a China compete, mas como chegou a esse ponto. Como um país identificado durante anos como a fábrica do mundo, associado à produção em massa e à mão de obra barata, se tornou uma referência em inovação e vanguarda tecnológica? Em um novo vídeo no canal do YouTube do Xataka internacional, em espanhol, nosso colega Francisco Franconi discute esse processo em detalhes e apresenta números, contexto e nuances de um fenômeno que estamos vendo se desenrolar quase em tempo real e que pode alterar o equilíbrio de poder no setor tecnológico global.
China não é mais apenas a fábrica do mundo: está construindo seu próprio caminho em IA
"A China deveria estar anos atrás dos Estados Unidos no desenvolvimento de IAs, já que entre 85% e 95% do mercado global de chips usados nesse setor pertence à Nvidia", explica Franconi. Os dados são importantes, mas não explicam tudo. A corrida pela inteligência artificial não se desenrola apenas no campo dos semicondutores. Existem outros fatores estruturais igualmente decisivos, e um deles é a energia. O vídeo explora a enorme disparidade energética que separa os dois países e por que esse aspecto é crucial para entender o avanço da China.
Como Franconi destaca, a energia "é necessária para construir fábricas de chips, supercomputadores e centros de processamento. Sem ela, não há crescimento industrial". Para contextualizar essa afirmação, a análise utiliza dados da Agência Internacional de Energia que ajudam a mensurar a real dimensão dessa vantagem e seu impacto direto no desenvolvimento industrial e tecnológico.
Outro eixo do vídeo é a resiliência. Especificamente, a capacidade da China de se adaptar e continuar avançando apesar das sanções e restrições impostas pelas diversas administrações dos EUA. Franconi aborda as repetidas limitações que afetam a NVIDIA, mas também examina o caso da Huawei e o papel que startups como a Deepseek estão começando a desempenhar nesse novo cenário.
O talento surge como outro pilar fundamental dessa carreira. "Um fato relevante é que a China tem um número maior de graduados em ciências, tecnologia, engenharia e matemática, mas o dado mais impressionante é que 50% dos pesquisadores de IA do mundo são de origem chinesa", afirma Franconi. Um número que ajuda a entender por que o país asiático está ganhando peso tão rapidamente no desenvolvimento e na pesquisa em inteligência artificial.
O vídeo também traça o atual ecossistema de modelos de linguagem que competem no mercado e oferece um panorama claro da posição da China e dos Estados Unidos nessa corrida tecnológica. Uma análise que leva às conclusões do nosso colega sobre para onde esse pulso global está se direcionando e quais implicações ele pode ter a médio e longo prazo.
Você já pode assistir ao vídeo completo no canal do Xataka no YouTube, em espanhol.
Imagens | Xataka
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