O selo "Made in Japan", que durante décadas foi sinônimo de altíssima qualidade e inovação na sala de estar, está desaparecendo de nossas televisões. Primeiro foi a Sony, e a Panasonic é a mais recente grande marca a "sucumbir" à força vinda da China.
Os movimentos recentes apontam para uma mudança de paradigma: a fabricação e o design já não parecem tão rentáveis e, nesse contexto, muitas marcas fazem a mesma pergunta: por que não deixar a força bruta da produção nas mãos de outros? É aí que a China entra em cena, com uma enorme capacidade produtiva (e isso se reflete nos preços) que, no momento, nenhum país parece conseguir igualar.
Despedida dos gigantes japoneses
Nesse cenário, marcas japonesas lendárias, pressionadas pelos custos de produção e por uma acirrada guerra de preços, estão desistindo de parte do processo. Panasonic e Sony foram as últimas a dar esse passo.
Primeiro foram os celulares, agora é a vez das televisões
O que estamos vendo com as Smart TVs de marcas muito poderosas não é novidade: já vimos isso antes com muitos outros produtos (os celulares são um exemplo muito claro e, depois deles, vem o carro elétrico).
A imparável máquina industrial da China, impulsionada por economias de escala inatingíveis para grande parte do resto do mundo, está ditando as regras e agora é a vez dos fabricantes de TV: fabricar telas fora do gigante asiático não é mais um negócio realmente viável. Sony e Panasonic estão entre as últimas a ceder.
O recente anúncio da Panasonic marca o fim de uma era. A empresa, pioneira histórica em tecnologia de imagem, firmou um acordo estratégico com a fabricante chinesa Skyworth. De agora em diante, será essa empresa asiática a responsável pelo desenvolvimento e fabricação de grande parte de seu catálogo de televisores, incluindo os modelos com painéis OLED.
Lucratividade é o fator determinante
Embora não haja números, tudo indica que a estratégia de terceirizar a produção para a China é a única maneira de a Panasonic manter a viabilidade de sua divisão de consumo sem incorrer em prejuízos insustentáveis.
Análise da Panasonic Z95B para Xataka
A Panasonic não está sozinha nessa rendição. A Sony, fabricante da linha Trinitron e da mais moderna Bravia, seguiu um caminho semelhante, embora não idêntico. A empresa japonesa cedeu a fabricação de suas televisões para a chinesa TCL por meio de um acordo no qual a TCL assume 51% do controle, deixando a Sony com 49%. Na prática, e mudança efetivamente retira a Sony do negócio de fabricação direta, levando sua valiosa força de marca e tecnologia de processamento de imagem para os painéis competitivos montados por sua parceira chinesa.
Essas decisões representam o golpe final para a fabricante japonesa de televisores, somando-se a uma longa lista de deserções que começou anos atrás. Nomes ilustres como Toshiba, Hitachi, Pioneer e Mitsubishi já abandonaram o barco ou venderam o direito de usar suas marcas para terceiros.
Números do domínio chinês
Imagem | Counterpoint Research
O impacto da concorrência chinesa se reflete em números que não deixam dúvidas nos últimos relatórios do mercado global. De acordo com dados recentes de empresas de análise como a Counterpoint Research e a Sigmaintell Consulting, referentes ao final de 2025 e início de 2026, o mapa do setor se transformou completamente.
TCL e Hisense, imparáveis: a TCL teve uma ascensão meteórica, alcançando 16% do mercado global e se aproximando da líder histórica, a sul-coreana Samsung (que caiu de 18% para 17%). Na verdade, a TCL ultrapassou até mesmo a Samsung em volume de remessas globais de unidades únicas no último mês de 2025. Por sua vez, a Hisense consolidou sua posição no pódio, tomando da LG a posição que ocupava há anos em volume de unidades.
Com a invasão das lojas de departamento pelas marcas chinesas, o peso dos fabricantes japoneses tornou-se marginal em volume. A Sony, antes líder incontestável, agora se encontra em torno da décima posição no ranking global, com uma participação de mercado de apenas 1,9%.
A China já está fazendo o que outros não conseguem
Imagem | Dom J
A chave para essa drástica mudança de paradigma reside em uma guerra de preços que é possível graças ao controle total da cadeia de suprimentos. Fabricantes como a TCL (proprietária da CSOT, uma das maiores produtoras de painéis do mundo) e a Hisense podem se dar ao luxo de oferecer TVs de grande formato com tecnologias de ponta a preços que quebram paradigmas no mercado.
Para nós, consumidores, essa enorme diferença de preço se tornou irresistível: você prefere pagar mais caro para ter praticamente a mesma coisa? Aarcas japonesas estão relegadas a um nicho exclusivo de puristas e cinéfilos dispostos a pagar um preço alto.
E, no Japão, fizeram o mais óbvio: em vez de se sacrificarem para manter suas próprias fábricas, que não conseguem competir em preço, optaram por sobreviver aliando-se ao seu maior concorrente. Agora, a questão é... por quanto tempo?
Ao entregar suas linhas de produção para a Skyworth e a TCL, a Panasonic e a Sony abraçaram a dura realidade da indústria: o futuro da TV, independentemente da marca impressa na tela, é fabricado e montado na China.
Imagem | Gerado com Nano Banana Pro por Pepu Ricca para Xataka Móvil
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