Hantavírus em cruzeiro: entenda o que é a doença e quais são os sintomas do surto no Atlântico

Vírus transmitido por roedores levanta preocupação após registros em alto-mar

Navio de cruzeiro MV Hondius navegando no Oceano Atlântico sob alerta de surto de hantavírus
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Natália P. Martins

Redatora
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Natália P. Martins

Redatora

Um possível surto de Hantavírus em um cruzeiro no Atlântico acendeu um alerta global. A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou, neste domingo (3), ao menos três mortes associadas ao vírus, além de um caso confirmado e outros cinco sob investigação.

O surto foi registrado a bordo do navio MV Hondius, que realizava uma viagem da Argentina até Cabo Verde.

O que é o hantavírus e como ocorre a infecção

O hantavírus é um grupo de vírus transmitido principalmente por roedores infectados. A infecção em humanos ocorre, na maioria das vezes, pela inalação de partículas presentes na urina, fezes ou saliva desses animais.

Isso significa que não é necessário contato direto com o roedor. Ambientes fechados, com poeira contaminada, por exemplo, já podem representar risco.

Um ponto importante: na maioria dos casos, o hantavírus não é transmitido de pessoa para pessoa, o que afasta o risco de uma disseminação em larga escala como uma pandemia. A única exceção conhecida é a cepa Andes, identificada na Argentina, que possui potencial limitado de transmissão entre humanos.

O que o hantavírus causa?

No Brasil, a principal manifestação da doença é a  Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), que afeta diretamente os pulmões e o sistema cardiovascular.

Nas Américas, a hantavirose pode variar de uma doença febril inespecífica até quadros graves com comprometimento pulmonar e cardiovascular. Em situações críticas, pode evoluir para Síndrome da Angústia Respiratória Aguda (SARA), com falência respiratória.

O vírus pode provocar acúmulo de líquido nos pulmões, levando à insuficiência respiratória aguda. Em casos graves, a evolução é rápida e pode exigir suporte intensivo.

Em outras regiões do mundo, especialmente na Europa e na Ásia, é mais comum a forma conhecida como síndrome hemorrágica com comprometimento renal (HFRS), que pode causar sangramentos e afetar os rins.

Onde é encontrado o hantavírus no Brasil?

No Brasil, a doença já foi registrada em diversas regiões, com maior incidência em áreas rurais. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 70% das infecções ocorrem em zonas rurais, onde há maior contato com ambientes naturais e presença de roedores.

Entre 1993 e 2024, o país registrou 2.377 casos confirmados, com 937 mortes.

Hantavirus Brasil Infecções por Hantavírus são mais comuns em regiões rurais. Foto: Reprodução/Ministério da Saúde

Sintomas iniciais e evolução do quadro de infecção por hantavírus

Segundo o Ministério da Saúde, ainda na fase inicial, a hantavirose causa os seguintes sintomas:

  • Febre;
  • Dor nas articulações;
  • Dor de cabeça;
  • Dor lombar;
  • Dor abdominal;
  • Sintomas gastrointestinais.

Na fase cardiopulmonar, os sintomas da infecção por hantavírus evoluem para:

  • Febre;
  • Dificuldade de respirar;
  • Respiração acelerada;
  • Aceleração dos batimentos cardíacos;
  • Tosse seca;
  • Pressão baixa.

Estima-se que ocorram cerca de 150 mil casos anuais de hantavírus no mundo na forma de HFRS, segundo dados dos National Institutes of Health (NIH). Mais da metade desses casos ocorre na China. Nos Estados Unidos, foram registrados 890 casos entre 1993 e 2023.

Qual o tipo de rato que transmite a hantavirose?

No Brasil, o principal transmissor é o rato silvestre, especialmente espécies do gênero Oligoryzomys, conhecido como rato-do-mato.

Diferente dos ratos urbanos, esses animais vivem em áreas rurais e não apresentam sintomas, mas eliminam o vírus no ambiente por meio de urina, fezes e saliva.

Hantavirus Agente No Brasil, os principais transmissores do Hantavírus são roedores silvestres. Foto: Reprodução/Ministério da Saúde

Por que o surto de hantavírus em um cruzeiro chama atenção

Casos de hantavirose costumam estar ligados a áreas rurais. Por isso, o registro em um cruzeiro é considerado incomum.

Entre as hipóteses analisadas estão:

  • Exposição anterior dos passageiros;
  • Presença acidental de roedores no navio;
  • Contaminação de cargas.

Período de incubação ajuda a explicar o surto no cruzeiro

Os sintomas da hantavirose não aparecem imediatamente após a infecção. O período de incubação pode variar de 1 a 5 semanas.

Esse intervalo relativamente longo pode ajudar a explicar por que casos podem surgir no meio de uma viagem — como no caso do cruzeiro — mesmo que a exposição ao vírus tenha ocorrido antes do embarque.

Existe tratamento para hantavirose?

Não há tratamento antiviral específico. De acordo com o Ministério da Saúde, o atendimento é baseado em suporte clínico, incluindo oxigenação, controle da pressão arterial e cuidados intensivos. 

Como prevenir a hantavirose

A prevenção está diretamente ligada a evitar o contato com roedores silvestres e seus resíduos. Segundo o Ministério da Saúde, as principais medidas incluem:

  • Manter o terreno ao redor da casa limpo e roçado;
  • Dar destino adequado a entulhos;
  • Armazenar alimentos em recipientes fechados e protegidos;
  • Evitar acúmulo de lixo ou restos de comida;
  • Impedir a entrada de roedores em residências.
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