Nossas primeiras impressões do smart watch Huawei Watch D3: medir a pressão nunca foi tão fácil

É confortável e simples de usar, embora exija algumas concessões, como evitar banho e piscina

Medir pressão no Huawei Watch D3
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator

Victor Bianchin é jornalista.

2441 publicaciones de Victor Bianchin

Relato original de Javier Marquez, do Xataka Espanha

Se você usa um relógio inteligente, provavelmente já viveu algo parecido com o que acontece comigo: cada vez mais nos parece normal que ele nos forneça informações sobre nossa saúde. Ele nos acompanha enquanto dormimos, registra nossa frequência cardíaca, estima níveis de estresse e, em alguns modelos, permite até fazer um eletrocardiograma. Ainda assim, nesta semana, houve algo que conseguiu me surpreender. Iniciei uma medição e senti como a pulseira começava a inflar e a apertar meu pulso aos poucos. O princípio era o de um aparelho de pressão, mas inserido em um dispositivo que podemos usar durante todo o dia.

Esse relógio era o Huawei Watch D3, a nova geração de uma família com a qual a empresa chinesa quer levar o monitoramento da saúde muito mais longe do que em um wearable convencional. A Huawei vem colocando esse campo no centro de sua estratégia há algum tempo e, na família Watch D, essa aposta se concretiza de uma forma muito particular: levar a medição da pressão diretamente ao pulso. Em Madri, além disso, a apresentação foi acompanhada de um estudo realizado no Hospital Clínico San Carlos com o Watch D2, comparado durante 24 horas com um sistema tradicional de monitoramento ambulatorial da pressão arterial, conhecido como MAPA, em pacientes com hipertensão.

Um aparelho de pressão que levamos no pulso

Antes de medir qualquer coisa, há uma etapa que é mais importante do que o habitual: escolher corretamente a pulseira. A Huawei inclui um medidor de pulso porque o ajuste não afeta apenas o conforto, mas também faz parte do próprio processo de medição. Uma vez colocado corretamente, o funcionamento é muito simples: entrei na função de pressão arterial, toquei para iniciar e adotei a postura indicada, com o pulso na altura do coração e a outra mão segurando o cotovelo. Depois, basta ficar parado e não falar. O que notei em seguida foi como o airbag começava a inflar aos poucos ao redor do pulso até concluir a leitura.

O que acontece durante esses segundos de pressão tem pouco a ver com uma simples estimativa realizada por software. O sistema incorpora um manguito pneumático na própria pulseira e recorre à medição oscilométrica, o mesmo princípio básico utilizado por muitos aparelhos de pressão tradicionais. A Huawei não foi a primeira a colocar essa tecnologia em um dispositivo de pulso nem está sozinha nesse campo: a Omron já havia percorrido esse caminho com o HeartGuide, que também utiliza um manguito e o método oscilométrico. Continua sendo, em todo caso, uma categoria pouco comum entre os wearables atuais.

D3 1 A medição da pressão arterial se inicia diretamente no relógio com apenas alguns toques | Foto: Xataka

Uma das coisas de que mais gostei é que a Huawei não tratou este relógio como se seu forte enfoque em saúde justificasse deixar todo o resto de lado. O último modelo da empresa que eu havia testado antes deste foi o Huawei Watch 5 e, aqui, volto a encontrar aquela sensação de produto bem construído, com bons materiais, acabamentos cuidadosos e várias combinações de cores. Ao compará-lo com o D2, a diferença física também é percebida imediatamente: ele é mais fino e leve no pulso. Pode parecer um detalhe menor, mas aqui ganha especial importância, porque parte da proposta consiste justamente em podermos esquecer que estamos usando um sistema de medição bastante mais complexo do que o habitual.

A Huawei poderia ter se limitado a nos mostrar o relógio e nos deixar testá-lo, mas, como dissemos, decidiu apoiar a apresentação em um estudo desenvolvido no Hospital Clínico San Carlos de Madri. Ali entrou em cena o Dr. José Antonio García Donaire, coordenador clínico da unidade que assina o trabalho. Esse estudo corresponde ao Watch D2, e não ao D3 que estamos testando agora. Seu desenho foi “piloto, prospectivo, observacional e comparativo”, com o objetivo de confrontar suas medições com as de um MAPA tradicional e verificar como ele se comportava em termos de conforto, adesão e uso cotidiano.

D3 2 O Watch D3 mostra em tempo real como aumenta a pressão do manguito durante a medição | Foto: Xataka

Participaram 50 adultos com hipertensão essencial e tratamento estável, aos quais foi colocado no braço não dominante um monitor ambulatorial tradicional de pressão arterial Spacelabs, utilizado como sistema de referência, enquanto usavam o Watch D2 no pulso contrário durante 24 horas. Os dois dispositivos foram programados para realizar medições nos mesmos períodos: a cada 15-20 minutos durante o dia e a cada 30 minutos à noite. Além disso, os pacientes mantiveram um diário de atividade e sono, de modo que a comparação não se limitava a uma medição isolada, mas a um dia inteiro de uso real.

O resultado mais chamativo aparece nas médias de 24 horas registradas para o conjunto dos participantes. O monitor Spacelabs registrou 126,3/79,5 mmHg e o Watch D2, 123,4/76,8, enquanto o estudo relata uma diferença média de -3,1 mmHg na pressão sistólica e -2,6 mmHg na diastólica. Há, isso sim, uma ressalva que convém levar em conta: o protocolo também estabelecia um desvio-padrão inferior a 8 mmHg e, na pressão sistólica, esse valor foi ultrapassado tanto no conjunto das 24 horas quanto nos períodos diurno e noturno.

Onde o Watch D2 se sai especialmente bem é em algo muito mais fácil de entender fora de uma tabela estatística: a experiência de usá-lo. Segundo a pesquisa do estudo, 80% dos participantes classificaram seu uso como melhor ou muito melhor que o MAPA tradicional, 75% disseram que interferia pouco ou nada em suas atividades cotidianas e outros 75% afirmaram que o recomendariam a outros pacientes. São dados diferentes da precisão, mas igualmente relevantes em um sistema pensado para medir durante horas: quanto menos incomoda, mais fácil fica.

Tudo isso ganha outra dimensão quando olhamos para o problema que existe por trás. A OMS estima que, em 2024, cerca de 1,4 bilhão de adultos entre 30 e 79 anos viviam com hipertensão no mundo, aproximadamente 33% dessa população, e apenas 23% a tinham controlada. A organização também a considera uma das principais causas de morte prematura no mundo. García Donaire foi bastante gráfico durante a apresentação ao descrever a situação como “um problemão de saúde pública”.

Uma das funções que mais me chamou a atenção é justamente a que acontece enquanto dormimos. O monitoramento ambulatorial de 24 horas é utilizado para obter leituras noturnas, detectar hipertensão mascarada ou noturna e observar como a pressão muda entre o dia e a noite. Nesse contexto, o fato de o relógio poder programar medições automáticas durante a noite é especialmente interessante. Isso não significa que devemos deixar completamente de lado o MAPA tradicional, mas nos oferece um monitoramento menos incômodo.

Também há concessões claras, e a mais evidente está na água. Quando não estamos medindo a pressão, ele pode suportar chuva ou respingos próprios do uso cotidiano. Durante uma medição, no entanto, o fabricante nos disse que ele não é resistente à água e que os condutos necessários para inflar o manguito devem ser mantidos secos. Também não recomenda usá-lo para nadar, tomar banho ou submergi-lo. No evento, explicaram que o Huawei Care inclui, durante dois anos, um reparo por danos causados por líquidos, um reparo da tela, um da tampa traseira, uma substituição da bateria e duas substituições do airbag. Ainda falta saber quanto custará substituir este último fora dessa cobertura, se for necessário.

A Huawei quer que o D3 vá muito além da medição individual. Durante a apresentação, mostrou a Comunidade de Saúde, uma função do Huawei Health que permite vincular familiares e consultar dados como passos, frequência cardíaca, pressão arterial, ECG ou sono, além de configurar alertas quando determinados valores ultrapassam os limites estabelecidos. A empresa também deixou clara sua intenção de aproximar essa linha do setor de saúde: na Itália, prepara sua chegada às farmácias e, na Espanha, afirma que trabalha para introduzir o dispositivo nesse canal.

Depois deste primeiro contato, fico principalmente com a facilidade com que a Huawei conseguiu fazer parecer algo que, na realidade, é bastante incomum. Para fazer uma medição com o D3, não precisamos pegar outro aparelho nem colocar uma braçadeira no braço: aqui, carregamos o sistema conosco. Isso não significa que ainda possamos tirar nossas próprias conclusões sobre a consistência de suas medições durante um uso prolongado, algo que terá de esperar pelo teste completo. O Huawei Watch D3 chegará em 26 de outubro por 449 euros (R$ 2.632) e, até lá, essas primeiras impressões são, no mínimo, promissoras.

Imagens | Xataka

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


Inicio