A situação da Ubisoft atingiu um novo patamar de tensão. Cinco sindicatos que representam os funcionários da empresa na França convocaram uma greve internacional em massa para os dias 10, 11 e 12 de fevereiro. O movimento é uma resposta direta à reestruturação agressiva anunciada pela diretoria, que inclui o cancelamento de seis jogos, fechamento de estúdios e a obrigatoriedade do retorno presencial ao escritório cinco dias por semana.
A data da paralisação é estratégica: o último dia da greve coincide com a divulgação do primeiro relatório financeiro trimestral da empresa após o anúncio das mudanças.
"Nos prometeram autonomia para as Casas Criativas, mas e a autonomia para os funcionários? Cinco dias de trabalho presencial obrigatório: somos tratados como crianças que precisam de supervisão, enquanto a nossa gestão sai impune com mentiras e infrações à lei", afirmou a Solidaries Infortmatique em comunicado.
Os pilares da revolta dos desenvolvedores
A insatisfação dos funcionários não se resume apenas aos cortes, mas à forma como a gestão está conduzindo o futuro da companhia.
Após mais de um ano de negociações, a Ubisoft impôs o retorno integral aos escritórios, ignorando acordos de flexibilidade que já estavam em vigor em alguns estúdios.
Além do fechamento de estúdios em Halifax e Estocolmo, a empresa iniciou um plano de rescisão voluntária que pode afetar até 200 posições na França.
Sindicatos afirmam que a administração "sai impune após mentir e infringir a lei", exigindo que os executivos prestem contas pelas decisões que consideram absurdas.
Títulos aguardados, como o remake de Prince of Persia: The Sands of Time, foram descartados para que a empresa foque em IA generativa e jogos de mundo aberto.
O embate entre criatividade e lucro
Para o Sindicato dos Trabalhadores do Jogo (STJV), a Ubisoft esqueceu que seu crescimento dependeu do esforço dos desenvolvedores e de financiamento público. O fechamento do estúdio de Halifax apenas 16 dias após sua sindicalização é visto como um alerta sobre a postura da empresa em relação aos direitos laborais na América do Norte.
A greve de três dias promete paralisar as operações e enviar uma mensagem clara aos acionistas: sem os trabalhadores, não há jogos. Enquanto a administração busca economizar "centavos" e focar em tecnologias automatizadas, a força de trabalho luta para preservar a autonomia e a saúde mental conquistadas com o modelo de trabalho híbrido.
Ver 0 Comentários