O que antes era lixo descartado virou matéria-prima para construção. A engenheira queniana Nzambi Matee, de 29 anos, ganhou destaque internacional ao desenvolver uma tecnologia capaz de transformar resíduos plásticos em blocos de pavimentação mais resistentes do que o concreto tradicional.
A solução, criada por sua empresa Gjenge Makers, oferece uma alternativa mais barata e sustentável para a construção civil.
Plástico se transforma em tijolo mais resistente que concreto
O processo desenvolvido pela Gjenge Makers combina diferentes tipos de plástico reciclado com areia para criar blocos de alta resistência.
O material plástico coletado é transformado em uma base moldável, que depois é misturada à areia e submetida a um processo de prensagem até adquirir formato e resistência.
Tijolos são produzidos com materiais reaproveitados. Foto: Reprodução/Instagram
Segundo a criadora Nzambi Matee, chegar a esse resultado exigiu meses de testes. Foram cerca de nove meses até desenvolver um primeiro modelo funcional, passando por diferentes combinações de materiais e proporções.
Após essa etapa, a engenheira desenvolveu uma máquina própria capaz de reproduzir o processo em escala, permitindo a fabricação contínua dos blocos.
Processo já reaproveitou mais de 20 mil tonaledas de plástico
Com a tecnologia já em funcionamento, a empresa consegue produzir até 1.500 blocos por dia, utilizando mais de meia tonelada de plástico descartado. Até agora, mais de 20 toneladas de resíduos já foram reaproveitadas.
Os blocos são fabricados em diferentes níveis de resistência, para estradas e áreas industriais, uso comercial e ambientes residenciais.
Empresa produz diferentes tipos de pavimento a partir de plático descartado. Foto: Divulgação/Gjenge
Mesmo na versão mais simples, os blocos são até duas vezes mais resistentes que o concreto convencional, segundo a própria criadora.
Reciclagem de plástico também é uma solução urbana
A matéria-prima para a produção dos tijolos vem principalmente de áreas críticas de descarte, como Dandora, em Nairóbi. O aterro da cidade é um dos maiores da região e recebe milhares de toneladas de lixo diariamente.
Além disso, a empresa também recolhe plástico descartado em rios da cidade.
“O plástico é um material mal utilizado e mal compreendido. O potencial é enorme, mas sua vida após a morte pode ser desastrosa”, disse a engenheira.
Invenção recicla toneladas de plástico descartado. Foto: Reprodução/Gjenge
Geração de emprego e impacto social
O projeto também tem impacto direto na economia local. A Gjenge Makers já gerou mais de 100 empregos, incluindo oportunidades para jovens, mulheres e trabalhadores da cadeia de reciclagem.
Além disso, a empresa compra materiais de recicladores locais, fortalecendo a economia circular.
“Quanto mais reciclamos o plástico, mais produzimos moradias populares e mais criamos empregos para os jovens”, afirmou a empreendedora.
Empreendimento também é gerador de empregos. Foto: Reprodução/Instagram
Engenheira recebeu reconhecimento internacional
O trabalho de Nzambi Matee ganhou projeção global em 2020, quando ela foi uma das vencedoras do prêmio “Jovens Campeões da Terra”, concedido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.
A premiação reconhece iniciativas inovadoras com impacto ambiental positivo.
Foto de capa: Reprodução/Instagram
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