O Institute of Primary Facts organizou a mostra “Sala Memorial de Leitura Donald J. Trump e Jeffrey Epstein”. A exposição reúne mais de 3,5 milhões de páginas de documentos liberados pelo Departamento de Justiça americano sob a Lei de Transparência dos Arquivos Epstein.
Instalado no bairro de Tribeca, em Manhattan, o espaço reúne páginas ligadas a Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais e morto em 2019 enquanto aguardava julgamento federal por tráfico sexual de menores.
Os organizadores afirmam que o objetivo é impedir que o tema desapareça do debate público e pressionar por maior responsabilização envolvendo pessoas citadas nos arquivos.
Exposição transformou milhões de páginas em uma espécie de biblioteca física
Segundo os responsáveis pelo projeto, todos os documentos foram impressos e encadernados em 3.437 volumes físicos distribuídos em estantes dentro da sala de leitura.
A proposta é criar uma experiência visual impactante, permitindo que visitantes percebam fisicamente a dimensão do material acumulado ao longo de décadas de investigações, processos judiciais e registros relacionados a Epstein e sua rede de contatos. Além dos arquivos, a exposição também apresenta painéis, cronologias e materiais explicativos sobre o caso.
Foto: Anna Maria Lopez/Fast Company
Relação entre Trump e Epstein virou parte central da mostra
Os organizadores também montaram uma linha do tempo detalhando encontros públicos, fotografias, declarações e registros envolvendo os dois ao longo das décadas de 1980, 1990 e início dos anos 2000.
Segundo relatos amplamente divulgados pela imprensa americana, Trump e Epstein mantiveram convivência social durante anos antes de um suposto rompimento ocorrido em 2004.
Mostra organiza cronologicamente o envolvimento entre Trump e Epstein. Foto: Anna Maria Lopez/Fast Company
O presidente americano nega qualquer envolvimento em irregularidades relacionadas ao caso Epstein, embora seu nome apareça diversas vezes nos chamados “Arquivos Epstein”, assim como o de empresários, celebridades, políticos e figuras da elite internacional.
A presença de um nome nos documentos não significa automaticamente envolvimento em crimes.
Público pode visitar a sala, mas acesso aos documentos segue restrito
Embora a exposição esteja aberta para visitantes mediante agendamento online, o acesso integral aos documentos continua limitado.
Os organizadores afirmam que o Departamento de Justiça falhou em ocultar corretamente nomes de algumas vítimas e pessoas protegidas judicialmente, o que impede a liberação irrestrita do material ao público geral.
Por isso, apenas jornalistas, pesquisadores, advogados e profissionais autorizados conseguem consultar determinados arquivos diretamente.
Mesmo assim, visitantes comuns conseguem circular pela sala, observar os volumes físicos e acompanhar parte dos materiais disponibilizados para leitura pública.
Cidadãos americanos fazem protestos pedindo divulgação total dos documentos. Foto: Shutterstock
Relembre o caso Jeffrey Epstein
Jeffrey Epstein foi um financista bilionário americano que se tornou alvo de investigações por abuso sexual de menores e tráfico sexual envolvendo adolescentes.
As primeiras acusações públicas surgiram nos anos 2000, quando adolescentes relataram abusos cometidos em propriedades do Jeffrey Epstein na Flórida e em Nova York. O caso voltou a explodir em 2019, quando ele foi preso novamente sob acusações federais de tráfico sexual de menores.
Segundo investigadores, Epstein operava um esquema de aliciamento envolvendo jovens recrutadas para frequentar suas mansões e propriedades privadas.
Pouco mais de um mês após a prisão, Epstein foi encontrado morto dentro de uma cela em Manhattan. A morte foi oficialmente tratada como suicídio, mas rapidamente gerou teorias conspiratórias devido às circunstâncias do caso, falhas de segurança na prisão e à lista de figuras influentes ligadas ao financista.
Desde então, documentos judiciais, registros de voos, agendas pessoais e depoimentos passaram a ser divulgados gradualmente pela Justiça americana.
Foto de capa: Shutterstock
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