A China está tão desesperada com seu colapso demográfico que tomou uma atitude extrema: o projeto de US$25 bilhões para construir do zero uma "nova sociedade" e evitar a extinção

Após quatro anos seguidos de queda populacional, China aposta em incentivos financeiros e políticas sociais para estimular casamentos e nascimentos

Bebê chinês no colo de homem
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Laura Vieira

Redatora
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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Ontem (5/3), o governo da China anunciou um plano ambicioso, mas necessário, para tentar reverter um problema que preocupa economistas e autoridade há anos: a rápida queda da natalidade no país. Segundo dados do Departamento Nacional de Estatísticas da China (NBS), a população chinesa encolheu pelo quarto ano consecutivo em 2025, enquanto o número de nascimentos atingiu um nível recorde de baixa

Diante disso, o país decidiu apostar em um projeto de grande escala para criar uma “sociedade favorável ao nascimento de crianças”. A iniciativa faz parte do planejamento estratégico do país para os próximos cinco anos e pode mobilizar cerca de 180 bilhões de iuanes, o equivalente a US$25,8 bilhões, em incentivos e políticas públicas. A ideia é reduzir os custos de ter filhos e evitar que o envelhecimento acelerado da população comprometa a economia no futuro.

China investe em pacote bilionário para convencer as famílias a terem filhos

O plano apresentado pelo governo chinês parte de um diagnóstico muito claro no país: para muitos jovens, ter filhos se tornou financeiramente inviável. Por isso, a estratégia aposta em atacar diretamente os custos associados à gravidez, ao nascimento e à criação de crianças. Entre as medidas implementadas está a ampliação de subsídios nacionais para famílias com filhos e o compromisso de eliminar despesas extras para mulheres durante a gravidez a partir de 2026. Isso inclui o reembolso integral de custos médicos pelo fundo nacional de seguro de saúde, até mesmo tratamentos caros como fertilização in vitro (FIV).

O pacote também estima reforço no apoio habitacional para famílias com crianças e a manutenção de programas de subsídio para creches e serviços de cuidado infantil. O objetivo, segundo o plano quinquenal divulgado pelo governo, é reduzir o gasto financeiro que hoje desestimula muitos casais a ter filhos. Além disso, a China também pretende promover campanhas e políticas que incentivem “atitudes positivas em relação ao casamento e à maternidade”, tentando reverter uma mudança cultural que vem afastando cada vez mais jovens da ideia de formar família.

O envelhecimento acelerado da população chinesa ameaça a força de trabalho e pressiona o sistema de pensões

Por trás da mobilização chinesa em estimular a formação de famílias, está uma preocupação crescente com o impacto do envelhecimento populacional na economia chinesa. As projeções indicam que, até 2035, o país poderá ter cerca de 400 milhões de pessoas com 60 anos ou mais. Isso significa menos trabalhadores ativos sustentando uma população cada vez maior de aposentados, o que acaba pressionando tanto o sistema de pensões quanto o crescimento econômico. 

Para lidar com essa transição demográfica, o governo também pretende ampliar serviços de assistência a idosos, com atenção especial às áreas rurais, e desenvolver a chamada “economia prateada”, voltada para produtos e serviços destinados à população mais velha. O plano ainda inclui melhorias na saúde reprodutiva, na prevenção e tratamento de defeitos congênitos e na expansão da educação. Entre as metas estão ampliar a oferta de educação pré-escolar gratuita, aumentar o número de vagas no ensino médio e manter os gastos públicos com educação acima de 4% do PIB.


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